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UFPR investiga grupo de mensagens acusado de organizar apostas de estupro contra alunas

Denúncia aponta que estudantes da UFPR organizavam apostas e faziam piadas sobre violência sexual contra alunas da instituição

UFPR investiga grupo de mensagens acusado de organizar apostas de estupro contra alunas
Universidade Federal do Paraná. Foto: Tami Taketani/Plural
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Na última semana, o Diretório Acadêmico de Medicina (DANC UFPR) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicou em suas redes sociais uma nota conjunta com a Ouvidoria da universidade. O comunicado afirmava que “grupos de mensagens não são espaços sem lei” e que “planejar, incentivar ou naturalizar qualquer forma de violência ou humilhação contra mulheres” é passível de punição.

A nota poderia ser associada às campanhas da universidade no combate à violência contra mulheres; no entanto, a publicação ocorreu sob o contexto de denúncias sobre a existência de um grupo de mensagens formado por alunos da UFPR que listava alunas como possíveis alvos de estupro. Segundo relatos, o grupo também fazia piadas sobre as estudantes e organizava apostas e premiações para aqueles que conseguissem cometer violência sexual contra as jovens mencionadas.

Confira a nota.

Em mensagem enviada aos alunos, o Diretório informou que uma estudante de Medicina vinha sendo perseguida por integrantes do suposto grupo. O comunicado relatava ainda que o caso já havia sido encaminhado à polícia para identificar os envolvidos e tomar as medidas cabíveis. A mensagem, compartilhada em diversos grupos da universidade, orientava as alunas a redobrarem os cuidados ao circular pelo campus.

Mensagem compartilha em grupos da UFPR. Foto: Reprodução / WhatsApp
Mensagem compartilha em grupos da UFPR. Foto: Reprodução / WhatsApp

Nas redes sociais, a estudante de Direito da UFPR, Sabrina Kurscheidt, questionou como as mulheres podem se sentir seguras diante da existência de grupos como esse. Ao Plural, ela relatou que as alunas têm se organizado para se apoiar:

“Eu junta de outras colegas, temos evitado andar sozinhas, mas não deveria ser nossa responsabilidade tomar medidas para que nada aconteça conosco.”

Sabrina também destacou que, embora o caso seja amplamente comentado dentro da universidade, até o momento não houve identificação dos integrantes nem confirmação sobre o teor real das mensagens.

“Geralmente, quando algo dessa proporção acontece na universidade, é natural que todo mundo fique sabendo. O assunto já é amplamente comentado, mas até agora nenhum print do grupo vazou, o que causa certo estranhamento, porque é comum que casos como esse se espalhem inclusive com prints.”

O Plural procurou a UFPR para saber quais medidas a instituição estava adotando sobre o caso. Em nota encaminhada ao jornal, a UFPR informou “que tomou conhecimento das mensagens que circulam em grupos de estudantes, a partir de uma denúncia grave envolvendo ameaça de violência sexual. 

A instituição adotou medidas imediatas de acolhimento e orientação às pessoas envolvidas, além de acionar os setores responsáveis pela segurança institucional e pelo acompanhamento da comunidade universitária. Será também instaurada investigação preliminar no âmbito da Corregedoria para apuração de responsabilidade de membros da comunidade universitária. 

Infelizmente tais acontecimentos refletem o status atual da sociedade em geral, marcado por um alarmante número de casos de violência contra as mulheres. Entretanto, a UFPR possui as instâncias adequadas para fazer o acolhimento e a apuração de tais incidentes, bem como para tomar medidas de prevenção. A gestão da UFPR se mantém vigilante e ativa para que o ambiente da Universidade seja inclusivo, acolhedor e seguro para todas as pessoas.”

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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