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UEPG expulsa sete alunos por mensagens racistas no WhatsApp

Estudantes de Agronomia agora poderão responder criminalmente pelo que escreveram

UEPG expulsa sete alunos por mensagens racistas no WhatsApp
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Pelo menos um dos casos de intolerância identificados em instituições de ensino do Paraná não passou impune: a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) anunciou nesta semana que os sete alunos envolvidos no envio de mensagens racistas em um grupo de WhatsApp foram expulsos. O anúncio vem quatro meses depois da denúncia, tempo que foi usado para a realização de um inquérito disciplinar que, segundo a UEPG, garantiu aos alunos o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A conclusão da comissão julgadora será encaminhada ao Ministério Público do Paraná, que investiga o caso desde que foi acionado pela instituição, imediatamente após o recebimento da denúncia, em 22 de agosto de 2022. Isso significa que, além da expulsão da universidade, os alunos poderão responder a processos cíveis e criminais na Justiça.

Em nota enviada à imprensa, a UEPG ressaltou que "atua para evitar que casos como este se repitam". Desde 2019, a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) mantém ativa a campanha “UEPG está de olho”, iniciativa que atua contra todas as formas de assédio e discriminação na instituição. A Prae recebe denúncias pelo (42) 3220 3237 (whatsapp) e [email protected].

Racismo via WhatsApp

Em agosto deste ano, um grupo de WhatsApp de alunos de Agronomia da UEPG foi inuncado por mensagens racistas. O Plural teve acesso às mensagens, trocadas no grupo intitulado “Calourada agronomia” [o nome designa ainda um ano específico, mas o número não aparece nas imagens].

Há poucos diálogos, e a maioria do conteúdo sob investigação foi compartilhado em forma de “figurinhas” criadas a partir de imagens de conotação racista. Aparecem ainda postagens de cunho homofóbico e de símbolos nazistas. Internamente, o episódio foi denunciado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae).

O recorte que está sendo investigado mostra a interação de ao menos 10 alunos, a princípio em um mesmo dia, entre 20h48 e 21h01. Neste intervalo, apenas uma pessoa sai do grupo. Outra que de início escreve “Vocês acham engraçado mesmo?” depois também compartilha imagens de mesmo sentido.  

Um dos stickers iniciais diz “Opa Opa Preto aqui não” anteposto a uma foto de membros da Ku Klux Klan, organização terrorista de extrema-direita, fundada nos Estados Unidos, que se autoproclama supremacista. O movimento foi criado em meados do século XIX, nunca deixou de existir, mas suas células vêm atuando mais ativamente nos últimos anos. Durante o governo de Donald Trump, chegaram a usar as ruas do estado de Virgínia para fazer uma passeata contra negros, imigrantes e judeus.

Logo abaixo da imagem do movimento, outro aluno responde “KKK” – sigla da Ku Klux Klan, mas também usado no Português como onomatopeia de risada. Em seguida, duas outras fotos compostas mostram uma criança negra que corre de um homem branco armado em cima de uma bicicleta.

A sequência continua com o desenho de um homem em vestes de uma camiseta estampada com a suástica, símbolo do nazismo alemão do século XX. Sobre a imagem, a frase “Se eu ganhasse um real cada vez que sou racista, provavelmente um preto filha da puta iria me roubar”; e, depois, uma montagem com a foto do presidente Jair Bolsonaro em que aparece a expressão “ihu!!”.

No mesmo tom, é reproduzida a foto de uma criança branca “cavalgando” sobre uma criança negra, e uma segunda imagem colocada pelo mesmo aluno traz a frase “Uma vez eu tava andando na rua e vi um negro um com Ps4 na mão e pensei ‘Parece o meu’, mas aí lembrei, o meu tava em casa engraxando meu sapato”.

Ao longo da conversa, uma figura com a frase “toda vez que alguém posta essa figurinha um preto é baleado” é repostada diversas vezes por diferentes estudantes. No grupo também circularam imagens de Adolf Hitler e outras de sentido homofóbico.

Em duas delas, bonecos com o fundo das bandeiras do partido nazista alemão e dos Estados Confederados dos EUA – adotada por ultranacionalistas e defensores da segregação racial – chutam bonecos com as cores da bandeira LGBTQIA+. Uma terceira edita sobre uma foto do presidente Bolsonaro com o dedo em riste a frase “Opa Opa Opa gay aqui não”.

O material ao qual a reportagem teve acesso mostra ainda algumas mensagens contra a esquerda e em defesa de Bolsonaro – o presidente, que chegou a declarar que “negros são pesados em arrobas”, já negou a existência do racismo no Brasil.

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