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Traços Curitibanos realiza mostra de ilustrações no Alto Boqueirão

As exposições itinerantes de artes visuais nos bairros têm como objetivo dar mais visibilidade ao evento

Traços Curitibanos realiza mostra de ilustrações no Alto Boqueirão
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O projeto de artes visuais Traços Curitibanos está com uma mostra modular itinerante de ilustrações por tempo indeterminado no Centro da Juventude Eucaliptos, situado no bairro Alto Boqueirão. Com visitação gratuita, a exposição conta com trabalhos de desenhistas que atuam na área de ilustração, histórias em quadrinhos, caricatura e animação. A mostra descentralizada nos bairros permite a possibilidade de ampliar a visitação e, consequentemente, a sua visibilidade.

De acordo com a organização, o projeto Traços Curitibanos é apresentado como uma “mostra de ilustração, caricaturas, animação e histórias em quadrinhos com nosso sotaque”. A mostra expositiva que acontece no Alto Boqueirão é parte da 3ª edição do evento, realizada em 2019 na Gibiteca de Curitiba.

Mostra Traços Curitibanos

A mostra Traços Curitibanos tem origem dentro de uma tradição na área de ilustração em Curitiba, que começou com a editora de quadrinhos Grafipar, sediada na cidade. Essa editora tinha importância comparada com as do Rio de Janeiro e São Paulo e, com o seu fim, essa tradição originou o Projeto Traços Curitibanos.

Segundo a organização do projeto, são realizadas exposições a cada dois anos, as quais têm como objetivo “traçar o panorama da produção local de ilustração, quadrinhos, caricatura e animação”. A mostra, que já realizou sua 4ª edição no ano de 2021, iniciou em 2015, com exposições de artes visuais em um mesmo ambiente.

A ideia é a de dar oportunidades para artistas que sempre realizavam as exposições de suas obras nas ruas da cidade, para que possam expor em um espaço cultural. Também participam caricaturistas que atuam nas áreas de eventos, para que cada artista possa realmente mostrar seu traço curitibano, de forma a abranger todo o tipo de desenho, em diferentes setores de mercados em Curitiba. Dessa forma, todos os trabalhos selecionados representam o traço curitibano, quer seja fazendo referência a algum lugar da cidade, ou uma personalidade e até sendo o traço.

Mostras descentralizadas

A Gibiteca de Curitiba, situada no centro da cidade, é a responsável pela produção e curadoria geral das mostras. Contudo, a ideia de descentralizar as exposições contribui para que mais pessoas tenham acesso, alcançando maior visibilidade.

Segundo a Fundação Cultural de Curitiba, as exposições modulares itinerantes iniciaram em março de 2021 nas dez Regionais de Curitiba, porém foram interrompidas devido à pandemia do coronavírus. A partir do mês de agosto do mesmo ano, as mostras foram retomadas.

A mostra no Alto Boqueirão, que está sob a responsabilidade da Casa de Leitura Marcos Prado, conta com 31 trabalhos de ilustração. A diversidade dos desenhos é uma amostra do universo de possibilidades na dessa área. De acordo com a curadoria, o tema Traços Curitibanos foi colocado, então as pessoas que realizaram as ilustrações puderam interpretar do jeito que queriam a palavra “traços”. Poderia desenhar alguma representação de Curitiba, ou então algo que remetesse ao próprio traço, que é curitibano.

Para a coordenação da mostra, quando se afirma que a exposição traz o sotaque das curitibanas e dos curitibanos, é porque o que realmente une todos (as) esses (as) artistas é o fato de serem de Curitiba. Com relação a ilustração, a técnica e a forma de trabalho, digital ou artesanal, cada pessoa possui o seu jeito.

Acesso e visibilidade

Mesmo as mostras Traços Curitibanos já tendo repercussão a nível nacional, muitas pessoas de Curitiba ainda não as conheciam. O Plural conversou com um grupo de pessoas idosas que estavam saindo de uma aula de ginástica que faz parte do espaço, para saber mais sobre a repercussão da exposição no local.

Das pessoas que estavam presentes, nenhuma conhecia o Traços Curitibanos e consideram como importante levar as artes para os bairros. Como os eventos expositivos são realizados no centro, muitas vezes para quem reside nos bairros periféricos fica mais difícil se deslocar até o local para ver as obras. Alice Gomes, aposentada, ficou impressionada com os trabalhos e destaca a importância de levar as artes para os espaços e locais periféricos. “É bom trazer para os bairros para que mais pessoas possam visitar, dar mais oportunidades para as pessoas que não estão no centro. Uma exposição aqui é uma boa, frequenta bastante gente”, diz.

Com relação às ilustrações, afirmaram que gostaram e que acharam diferente. Inclusive comentaram que muitas vezes as pessoas possuem talentos, mas somente têm as ruas para mostrarem seus trabalhos. Também informaram se tratar de uma novidade e que é importante ter outras exposições como as da mostra Traços Curitibanos, bem como outros eventos culturais no espaço. É o que afirma Cecília Pierini, aposentada: “É novidade, porque eu nunca tinha visto. Agora que a gente está vendo. É importante ver coisa diferente”.

Algumas das ilustrações são apresentadas nas imagens que seguem:

Este texto é parte do projeto Periferias Plurais, em que seis jovens de Curitiba e região são convidados a falar de suas vidas e suas comunidades

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