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Suplente do PL ficará com vaga de Dallagnol na Câmara

Itamar Paim, pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, assumirá vaga após TSE cassar candidatura de Dallagnol

Suplente do PL ficará com vaga de Dallagnol na Câmara
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O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) confirmou o nome do pastor Itamar Paim, do PL, para ocupar a cadeira de Deltan Dallagnol na Câmara dos Deputados. O ex-procurador da Lava Jato teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite desta terça-feira (17).

A Corte entendeu, por unanimidade, que Dallagnol não poderia ter se candidato por ter pedido exoneração do Ministério Público Federal (MPF) enquanto o órgão ainda analisava contra ele reclamações disciplinares, sindicâncias, pedidos de providências e Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A decisão dos ministros da Corte se baseou em artigo da Lei da Ficha Limpa que determina que candidatos sejam suficientemente probos e estejam aptos a exercer cargos eletivos.   

Embora ainda possa recorrer, a cadeira do ex-procurador ficou automaticamente vaga. Os cálculos eleitorais corroboraram que agora vai à Brasília Itamar Paim, de 46 anos.

Defesa da família

Natural de Paranaguá, o religioso concorreu à sua primeira eleição no ano passado e somou 47.052 votos – sete vezes menos do que conquistou Dallagnol, eleito o deputado federal pelo Paraná com o maior número de votos no pleito.

Itamar Paim é pastor da 59ª Igreja do Evangelho Quadrangular, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Nas redes sociais, imprime o lema “em defesa da família e da vida” e endossa o mantra da direita conservadora brasileira, referindo-se ser contra pautas como aborto, legalização das drogas e o que chama de “ideologia de gênero”, “doutrinação nas escolas” e “perseguição religiosa”.

Nas eleições de 2022, defendeu voto para o governador Ratinho Jr. e para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Paim foi o único candidato autodeclarado preto ou pardo do PL no Paraná que recebeu verba do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado “Fundão”. Foram R$ 450 mil repassados a ele pelo mecanismo. Outros candidatos da legenda no estado - negros e mulheres - chegaram a entrar com ação questionando o fato de não terem sido também beneficiados.

Lula e Beto Richa “estão felizes”

Deltan Dallagnol falou pela primeira vez sobre a cassação de seu mandato na tarde desta quarta-feira. No Salão Verde da Câmara, o agora ex-parlamentar disse ter sido cassado “por vingança” e sob a justificativa de uma “inelegibilidade imaginária”.

Durante a fala, ele estava cercado de deputados aliados, entre eles Eduardo Bolsonaro. Muitos empunhavam placas com dizeres de apoio ao ex-procurador, como “Perseguição política não é justiça” e “Juntos com Deltan”.

“Hoje o sistema de corrupção, os corruptos e seus amigos estão em festa”, disse Dallagnol, citando, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nomes como Aécio Neves e Beto Richa, ambos do PSDB. O ex-governador do Paraná Beto Richa, hoje deputado, foi preso pela Lava Jato em 2019 em meio a investigações sobre supostos crimes na concessão de rodovias do estado. Lula, também preso pela operação, teve as condenações derivadas da Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“A verdade é uma só, eu perdi o meu mandato porque combati a corrupção, e hoje é um dia de festa para os corruptos e um dia de festa para Lula”.

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