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Sem tempo para negociar, Ratinho fecha proposta de reajuste a policiais

Sem tempo para negociar, Ratinho fecha proposta de reajuste a policiais
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Aos 45 do segundo tempo, Ratinho Jr. vai mandar nesta quarta-feira (23) à Assembleia Legislativa (Alep) projeto de lei com a correção da tabela dos salários de policiais civis e militares. Ao que tudo indica, o texto não vai sugerir reposição salarial a outras categorias.

O que não deve complicar tanto o governo. A aprovação do que vier tem que sair, no máximo, até a próxima semana. Ou não sai mais, comprometida pelo prazo eleitoral. A legislação não permite aumento de salários ao funcionalismo a partir de seis meses antes da eleição. Assim, sem prazo suficiente, não tem mais franja de negociação. A Comissão de Constituição e Justiça já tem reunião extraordinária agendada para a próxima segunda-feira (28).

Ao falar sobre o PL na sessão desta terça (22), o líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri (PSD), não adiantou os índices. Mas disse que o “o fato concreto é que existe o desejo do governo de atender todas as classes dos funcionários, de uma forma ou de outra”, dando a entender que somente a segurança pública deve ter recomposição em seus salários.  

“Haverá uma melhora na carreira dos nossos policiais da segurança pública, militares bombeiros, civis. Haverá reenquadramento da carreira, de subsídio. A intenção é aproximar os de baixo com os de cima”, disse o deputado.

O discurso é muito semelhante ao adotado por Ratinho para justificar a nova tabela salarial dos professores, aprovada em dezembro do ano passado. O governo chegou a falar em aumento de até 48%, em um modelo mais atraente para profissionais de início de carreira, “equiparando os vencimentos base dos trabalhadores temporários, do Processo Seletivo Simplificado (PSS), ao do Quadro Próprio do Magistério (QPM), atendendo a uma demanda histórica da categoria”.

O sindicato dos docentes, no entanto, afirma que a proposta deu à maioria da classe 3% de ganho e achatou a carreira da categoria.

Diante da expectativa, policiais civis cancelaram no fim desta tarde assembleia geral extraordinária convocada para avaliar a oferta do Executivo. Justificaram o fato de a Casa Civil ter adiado reunião marcada com os servidores para apresentar a nova sugestão.

Já é fato que a segurança pública deve ser a menos prejudicada pela proposição. Minimizar o apoio da categoria à reeleição seria um tiro no pé do governador e de seus aliados.

Bakri chegou a ser parabenizado em plenário por Ademar Traiano pelo “esforço” em interceder pelos policiais.   

Em fevereiro, policiais militares fizeram vigília em frente ao Palácio do Iguaçu para cobrar reestruturação salarial. Eles alegam que tiveram perda salarial de 35% desde 2015. A última oferta do governo foi um aumento de 3%.

A reivindicação de reestruturação de salários pela inflação se estende a todo o funcionalismo público do Executivo. Servidores de diferentes categorias pedem  reposição da inflação nos salários. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Estado do Paraná, por exemplo, tem assembleia marcada para sábado (26).

Deputados da oposição da Assembleia enviaram nesta terça requerimento ao chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega, sugerindo que o Executivo estenda aos servidores do Executivo o reajuste de 9% aprovado já em primeira discussão pelos deputados para outras esferas de poder.

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