Pular para o conteúdo

Ratinho Jr. oferece ajuda ao Rio após matança em comunidades

Apoio operacional teria sido recusado pelo governador do Rio, Cláudio de Castro. Pelo menos 119 pessoas morreram

Ratinho Jr. oferece ajuda ao Rio após matança em comunidades
Para especialista da Universidade Federal Fluminense, operação foi uma “lambança político-operacional” / Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Publicado:

O governador Ratinho Júnior (PSD) ofereceu ajuda ao Rio de Janeiro após a ação policial que deixou ao menos 119 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (28). A informação foi dada pelo secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Teixeira, em entrevista na manhã desta quarta (29), para falar sobre o balanço de homicídios dolosos no estado.

Teixeira disse que conversou na terça com o secretário da Segurança do Rio, Victor César dos Santos, após uma ordem de Ratinho Júnior para colocar as forças de segurança do Paraná à disposição do governador Cláudio de Castro (PL). O apoio poderia envolver materiais e efetivo das forças especiais do estado, mas teria sido recusado pelo governador do Rio.

Paraná é um dos estados com mais mortes causadas pela PM
No ano passado, as forças seguranças mataram 413 pessoas no Estado, um aumento de 19%

A Operação Contenção teve a participação de aproximadamente 2,5 mil agentes da Polícia Militar e da Polícia Civil do Rio. O objetivo era cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, expedidos pela Justiça contra suspeitos de integrar a facção criminosa Comando Vermelho.

Nesta quarta, o governo do Rio atualizou o número de mortos para 119, entre eles quatro policiais. O número supera os 111 mortos do episódio conhecido como Massacre do Carandiru, em 1992. Durante a madrugada desta quarta, cerca de 70 corpos foram encontrados por moradores no Complexo da Penha em uma área de mata.

Polícia foi responsável por 18,4% das mortes violentas no Paraná, mostra anuário
Ao longo de 2024, polícias paranaenses causaram a morte de 400 pessoas, o que corresponde a mais de um sexto das vítimas de mortes violentas intencionais no estado

"Um sucesso"

Definida como um "sucesso" pelo governador Cláudio de Castro, a ação repercutiu em todo o mundo e foi criticada por ativistas e especialistas da área da segurança pública. “O que há de novo nesse massacre? Apenas a sua extensão, a quantidade de mortos. O que não há de novo é essa política de segurança pública, a destruição da vida do morador de comunidade", criticou o presidente da organização não governamental Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, segundo a Agência Brasil.

Professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz disse à Agência Brasil que a operação foi "amadora" e uma “lambança político-operacional”. Depois da ação, Cláudio de Castro culpou o governo federal, que teria se recusado a ceder blindados das Forças Armadas. Segundo o governador, os confrontos ocorreram em áreas de mata, o que comprovaria que as vítimas tinham ligação com o crime.

Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

Os ministros Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública; Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos e Cidadania; e Anielle Franco, da Igualdade Racial, fariam uma reunião na tarde desta quarta com o governador do Rio.

Menos homicídios no Paraná

Na entrevista desta quarta, Hudson Teixeira afirmou que o Paraná teve uma queda de 29% nos homicídios dolosos (1.214 para 865 ocorrências) entre janeiro e setembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape), da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). De acordo com a Sesp, foram 1.498 casos de janeiro a setembro de 2018, número que caiu para 1.306 no mesmo período em 2023; e para 1.214, em 2024.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Mais em Governo do Paraná

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros