A sessão ordinária da Câmara de Maringá desta última quinta-feira (4) ganhou forte repercussão após a vereadora Giselli Bianchini (PL) elogiar generais da ditadura civil-militar de 1964, afirmando que “fizeram um ótimo trabalho” ao não permitirem que o país fosse dominado pelo comunismo e defender anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Durante a fala, a parlamentar recorreu à Bíblia para justificar suas declarações, estabelecendo uma narrativa que mistura política, fé e um período histórico marcado por violação de direitos civis no país.
A declaração sobre os generais reacendeu debates já conhecidos no cenário político nacional, especialmente por tratar com naturalidade um regime reconhecido por censura, perseguições e repressão institucional. Ao defender anistia para Bolsonaro, a vereadora também se posicionou frontalmente dentro da pauta que mobiliza setores mais ideológicos da direita brasileira.
A postura da parlamentar dialoga com um histórico de propostas e pronunciamentos que já geraram controvérsia no Legislativo municipal. Entre eles, o projeto que institui o “Dia do Conservador Cristão Maringaense” e a iniciativa que buscava proibir o “desrespeito” a símbolos cristãos em espaços públicos, medida amplamente comentada nas redes e debatida pela imprensa local pela dificuldade de definição prática e pela relação com o caráter laico do Estado.
Essas iniciativas se somam a uma trajetória marcada por pautas de forte apelo religioso e ideológico, o que frequentemente desloca o debate legislativo de temas estruturantes para a cidade, como políticas públicas, infraestrutura, mobilidade, educação e assistência social. Em um espaço cuja função central é elaborar projetos que atendam toda a população, a recorrência de propostas dessa natureza levanta discussões sobre prioridades e sobre o papel institucional de agentes públicos no desenvolvimento da cidade.
As declarações desta semana, portanto, não surgem isoladamente, mas compõem um padrão de atuação que coloca em evidência o esforço da vereadora em deslocar o debate legislativo para disputas ideológicas e religiosas, mesmo quando o país vive um momento de reafirmação democrática e revisão histórica. Ao exaltar figuras do regime de 1964 e usar a religião como ferramenta de legitimação política em plenário, Giselli Bianchini tensiona os limites do papel institucional que ocupa e reforça uma agenda que pouco dialoga com as necessidades concretas da população maringaense. Em vez de avançar na construção de políticas públicas, suas declarações aprofundam a polarização e mantêm a Câmara em um ciclo de debates que afastam o Legislativo de sua função essencial que é produzir soluções para a cidade.