Três empresas e um fundo de investimentos demonstraram interesse em comprar a Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná), próxima estatal que poderá ser privatizada pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). A informação não é oficial, pois o processo é sigiloso. Os nomes foram confirmados ao Plural por fontes ligadas ao governo do estado e à Celepar.
O processo de privatização está temporariamente suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). A venda da estatal também vem sendo avaliada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A Celepar realizou uma audiência no dia 3 de setembro sobre o processo de privatização. As empresas interessadas teriam que fazer um depósito caução no valor de R$ 350 mil para acessar o data room, com todas as informações da companhia. O edital da privatização ainda não foi publicado.
Segundo o governo do Paraná, o leilão será do tipo maior oferta pelo lote único da totalidade de ações do Estado, que representam o controle acionário da companhia. Uma ação que será convertida em golden share, de propriedade do Estado. Somente propostas que superarem o valor previsto no edital serão consideradas válidas.
Veja quem demonstrou interesse na compra da Celepar, segundo as fontes ouvidas pelo Plural:
CiX
A empresa foi criada com o nome de Shopping do Cidadão e administra unidades do Poupa Tempo no estado de São Paulo. Já rebatizada para CiX (Citizen Experience), passou a administrar programas similares de atendimento ao cidadão em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Ceará.
A CiX é a principal empresa que compõe o Consórcio CiX Experience Paraná, escolhido para administrar 20 Centrais de Atendimento ao Cidadão no estado, pelo valor de R$ 871.293.969, por cinco anos. O processo chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Justiça do Paraná, mas última na terça-feira (7) o governador Ratinho Júnior participou da inauguração da primeira unidade do Poupatempo Paraná, no Shopping Estação, em Curitiba.
FIP Via Láctea
O Via Láctea é um Fundo de Investimento em Participações (FIP) para investimentos a longo prazo. De acordo com dados declarados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto do ano passado, o patrimônio era de aproximadamente R$ 117 milhões – valor que pode variar em função dos ativos que compõem o fundo.
Valid Soluções
Criada em Sorocaba (SP) em 1957, presta serviços de tecnologia para governos e órgãos públicos. Segundo o site da empresa, a Valid possui cerca de 1,2 mil clientes B2B (empresas) e B2G (órgãos governamentais municipais, estaduais ou federais). A empresa presta serviços para o Serpro, o serviço federal de processamento de dados, e é uma das emissoras da Carteira de Identidade Nacional (CIN).
A Valid tem pelo menos dois contratos vigentes com o governo do Paraná, por meio do Detran-PR e da própria Celepar.
O contrato com o Detran tem o valor total de R$ 108.528.918. Foi assinado em 1 de dezembro de 2022 e prorrogado por meio de três termos aditivos até 30 de novembro deste ano, para confecção, a emissão e a pré-postagem da Carteira Nacional de Habilitação e Permissão Internacional para Dirigir. O pagamento previsto para este ano é de R$ 21.374.614,74.
Já o contrato com a Celepar tem o valor total de R$ 12.133.290,45, para “prestação de serviços de reconhecimento biométrico facial por meio da análise de imagens; serviços de processamento e armazenamento em nuvem para sustentação deste ambiente e suporte técnico para a integração de informações com sistemas legados”. O contrato entrou em vigor em 16 de setembro de 2022 e vai até 16 de setembro de 2026.
Segundo o site Capital Digital, de Brasília, a Valid assinou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para continuar na disputa por um contrato de serviços para a Carteira de Identidade Nacional (CIN) com valor estimado em R$ 65 milhões, em andamento na Dataprev.
De acordo com o site, com a assinatura do TCC a empresa se livrou de um processo por suposta “condutas anticompetitivas” no processo de contratação para a impressão das provas do Enem, que em 2021 gerou a Operação Bancarrota, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.
A empresa também teria sido citada pelo Ministério Público do Paraná na ação sobre a suposta violação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no programa de biometria facial em escolas públicas do estado.
Viasoft (VMS Soluções)
Criada em 1969, em Pato Branco (PR), pelo empresário Itamir Viola. Presta serviços de tecnologia para os setores de agronegócio, supermercados, venda de combustíveis, indústrias e logística, entre outros. Itamir Viola é o criador do Tech Investor, um fundo de investimentos em agrotechs e fintechs.
A Viasoft também tem ligações com a esfera pública. Já prestou serviços para a Prefeitura de Pato Branco e o Viasoft Connect, evento de inovação em gestão empresarial produzido pela empresa, passou a fazer parte da Semana Paraná Inovador, com apoio do governo, em 2020. Em 2023, o Viasoft Connect deu origem à Connect Week, em parceria com a Prefeitura de Curitiba. Itamir Viola já publicou várias fotos ao lado do secretário das Cidades, Guto Silva, também natural de Pato Branco. Silva foi deputado estadual e secretário da Casa Civil no governo do Ratinho Júnior.
Veja o que já foi publicado sobre a privatização da Celepar