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Proposta de nova sede para Câmara de Paranaguá gera críticas sobre prioridade de gastos públicos

Nas redes sociais, críticos apontam desconexão entre a proposta e as demandas dos bairros

Proposta de nova sede para Câmara de Paranaguá gera críticas sobre prioridade de gastos públicos
População cobra investimentos em outras áreas ao invés de uma nova sede | Foto: Câmara de Paranaguá

 O presidente da Câmara Municipal de Paranaguá, vereador Adalberto Araújo (Republicanos), oficializou um requerimento ao Poder Executivo, solicitando a doação de um terreno para a construção de uma nova sede para o Legislativo.

De acordo com o documento, o pedido se baseia na saturação da estrutura atual diante do crescimento do número de parlamentares, da ampliação do corpo técnico e do aumento da participação popular nas sessões e nas atividades das comissões.

Eleito para presidir a Casa no biênio 2025-2026 com 17 votos, Adalberto Araújo afirma que "a infraestrutura precisa acompanhar o desenvolvimento urbano e os debates sobre programas habitacionais e atração de investimentos".

A Mesa Diretora, que tem o vereador Edilson Caetano (Republicanos) como vice-presidente, que "defende um novo plenário com mais acessibilidade e conforto à população que acompanha presencialmente as sessões e reivindicações da cidade".

Prioridades

A ideia de construir uma nova sede, levantada pelo vereador Adalberto Araújo, enfrenta resistência de parte da população. Nas redes sociais, críticos apontam desconexão entre a proposta e as demandas dos bairros.

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Para opositores do projeto, uma estrutura com 22 anos é considerada nova para padrões de prédios públicos. O principal argumento é que o Legislativo deveria apresentar resultados com a estrutura existente antes de solicitar terreno e verba para novas instalações.

Moradores cobram investimentos em saúde, educação, mobilidade urbana e drenagem em bairros como Parque São João, Vila Garcia e Porto Seguro. A avaliação é que esses recursos deveriam priorizar problemas de infraestrutura na periferia, e não a ampliação da estrutura física da Câmara.

Demanda inversa

A discussão ocorre após a Câmara aprovar, no último mês, a criação de 40 novos cargos. Para opositores da nova sede, a expansão administrativa contrasta com a avaliação de que a fiscalização exercida pelo Legislativo é insuficiente.

Um exemplo nessa questão é que cada gabinete, de cada vereador teve direito a dois novos cargos. O projeto foi aprovado mesmo com o conhecimento prévio de que a atual sede não comportaria as novas funções. O texto não previa a acomodação física dos servidores.

A tramitação da proposta de nova sede gerou preocupação no cenário político local. Opositores questionam a sequência: criação de cargos sem espaço, nota zero em fiscalização e pedido de verba para nova instalação.

Nova sede com nota zero

Nem mesmo a divulgação do relatório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE), em que o Legislativo Municipal obteve nota zero no quesito fiscalização do Executivo, intimidou o vereador Adalberto Araújo, com sua proposta para a construção de uma nova sede para a Câmara Municipal de Paranaguá.

Segundo o TCE, a Câmara não apresentou plano de fiscalização, equipes definidas ou atos normativos para orientar a atividade. A fiscalização do Executivo é apontada como função principal do Poder Legislativo.

O TCE informou que este é o último ano de avaliação com caráter pedagógico. A partir de 2027, o desempenho em fiscalização poderá impactar na regularidade das contas da Câmara, com reflexos diretos na gestão pública e nos serviços prestados à população.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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