O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) quer ouvir o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero, sobre os apagões registrados no Paraná. Moro vai requerer a realização de uma audiência pública para ouvir Slaviero na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado. Também será solicitada a convocação da direção da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval de Araújo Feitosa Neto.
Os apagões se tornaram mais comuns desde que a companhia foi privatizada pelo governo de Ratinho Jr (PSD), em 2023. Em abril de 2025, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) informou que 85% dos produtores rurais do Estado estavam insatisfeitos com os serviços da Copel. Em janeiro, a Faep enviou um ofício à companhia, ao governo do Paraná e aos deputados estaduais.
Moro citou o caso de Tupãssi, onde um produtor rural teria perdido cerca de 900 mil quilos de tilápia em razão de quedas no fornecimento de energia. Em São Miguel do Iguaçu, cerca de 20 mil aves morreram devido a oscilações na rede elétrica. “Enquanto isso, a Copel anunciou lucro de R$ 2,6 bilhões em 2025. Sou favorável à privatização, mas a empresa tem obrigação de fornecer serviço de qualidade para o povo paranaense”, disse o senador. "“Precisamos de esclarecimentos e de providências. A Aneel também precisa explicar o que está sendo feito diante dessas falhas”.
No ano passado, a Aneel divulgou que a Copel terminou o ano de 2024 como uma das três piores concessionárias de energia do Brasil. Em 2023, a companhia paranaense era a 25ª colocada na lista com 29 concessionárias. Em 2024 a empresa caiu para a 29ª posição, à frente apenas da CEE, do Rio Grande do Sul, e da Equatorial, de Goiás.
Segundo a Aneel, no último quadrimestre de 2023 foram registradas mais de 38 mil interrupções no fornecimento de energia no Estado, um crescimento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022. O tempo médio de atendimento aumentou subindo de 248 para 355 minutos (quase seis horas de espera).

Após o governo do Paraná vender a maior parte de suas ações, a fatia de lucros distribuída para acionistas subiu para 75%. O lucro também passou a ser ampliado com base em redução de custos (com demissão de 1,4 mil funcionários) e previsão de aumento da tarifa. O presidente da Copel é irmão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD).
Em dezembro do ano passado, durante uma audiência sobre as quedas no fornecimento de energia realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, partidos, entidades sindicais e movimentos sociais lançaram uma campanha pelo cancelamento da venda da Copel. O movimento vem reunindo assinaturas para apresentar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que autorize o governo do Paraná a recomprar as ações da empresa que foram vendidas e retomar o controle acionário. O objetivo é coletar pelo menos 90 mil assinaturas físicas.
