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Deputado Arruda disse ter recebido R$ 70 milhões, mas nova declaração ao TSE cita só R$ 1,7 milhão

Valor foi citado em ação criminal, mas nunca foi declarado à Justiça Eleitoral

Deputado Arruda disse ter recebido R$ 70 milhões, mas nova declaração ao TSE cita só R$ 1,7 milhão
O deputado estadual Ricardo Arruda / Foto: Tami Taketani / Plural

O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) declarou um patrimônio de R$ 1.742.847,32 ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no registro de sua candidatura a deputado federal neste ano. O número ao que o próprio Arruda afirmou à Justiça do Paraná em novembro de 2023, quando disse ter recebido cerca de R$ 70 milhões de forma lícita entre 2008 e 2015.

A declaração ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) foi feita pelo advogado de Ricardo Arruda, Jeffrey Chiquini, no processo em que o deputado é réu suspeito dos crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro e tráfico de influência.

Defesa diz que Arruda recebeu R$ 70 milhões em sete anos, mas deputado declarou menos de 5% disso ao TSE
Informação sobre ganhos entre 2008 e 2015 foi dada pela defesa do deputado no processo em que ele é réu

A defesa argumentou que os R$ 70 milhões recebidos de forma lícita reforçam a ideia de que Arruda não precisa praticar atos de corrupção. “Em uma conta manifestamente grosseira e sem as atualizações necessárias, o peticionário (Ricardo Arruda) recebeu, de maneira absolutamente lícita, com base em contratos, mais de R$ 70.000.000,o (setenta milhões de reais) no período de 2008 a 2015", sustentou o defensor do deputado no processo.

No processo, Chiquini disse que Arruda foi presidente do Banco Crédito Metropolitano SA, “o que, por razões óbvias, lhe rendeu grande quantia de dinheiro”. Ele também foi sócio das empresas MT Media Broadcasting Network Publicidade Ltda e Salomon Comunicação e Consultoria Ltda, o que "assegurou a continuidade de recebimento de grandes quantias em dinheiro, por conta do fechamento de diversos contratos multimilionários”, segundo a defesa.

A campanha deste ano será a quinta na carreira política de Ricardo Arruda. Ele concorreu a deputado federal em 2010 e foi eleito deputado estadual três vezes, em 2014, 2018 e 2022. Veja as declarações do candidato desde 2010, segundo o Divulgacand, sistema de divulgação de candidaturas do TSE:

O que diz Ricardo Arruda

Em nota enviada nesta terça, Ricardo Arruda afirmou que não é mais sócio da empresa e que, "embora um direito creditório seja um ativo, ele não impacta no patrimônio líquido". Segue a nota:

O deputado consigna que, no exercício do contraditório e da ampla defesa em um processo no qual é injustamente acusado da prática de crimes, lá afirmou que foi sócio de uma empresa que, em função da participação em negócio lícito, obteve para si direito creditório na alçada dos R$ 70.000.000,00.

Contudo, o patrimônio pessoal do deputado, que inclusive nem é mais sócio dessa empresa, não se confunde com o patrimônio da companhia. E, além disso, embora um direito creditório seja um ativo, este não impacta – direta e tampouco automaticamente – o patrimônio líquido e muito menos o valuation de qualquer empresa que detém algum crédito.

Em maio do ano passado, Arruda disse não ver "problema nenhum" em não declarar os R$ 70 milhões. Ele relatou ter fundado uma empresa financeira depois de presidir o banco e ter feito "contratos milionários" com emissoras de televisão.

“Contratos oficiais, que realmente renderam valores altos na minha conta. Todas foram emitidas nota fiscal. Está tudo declarado em nota fiscal, em contrato. Tem contrato fora do Brasil, mas a origem do dinheiro está toda comprovada", afirmou o deputado na época. “Eu não vejo problema nenhum (em não declarar ao TSE), porque não houve nenhuma sonegação".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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