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De “antissistema” ao Centrão: o caminho de Cristina Graeml para garantir candidatura em 2026

Candidata que chamava seu adversário de representante do "sistema” se filiou ao União Brasil – que já foi DEM, PFL, Arena e UDN

De “antissistema” ao Centrão: o caminho de Cristina Graeml para garantir candidatura em 2026
Sergio Moro e Cristina Graeml em coletiva nesta sexta-feira (26) / Foto: Divulgação
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A jornalista Cristina Graeml, segunda colocada nas eleições municipais do ano passado em Curitiba, formalizou nesta sexta-feira (26) sua filiação ao União Brasil, do senador Sergio Moro, em evento realizado em um hotel na capital. Filiada ao Podemos em fevereiro, ela deixou a legenda para ter mais garantias de que disputará uma vaga no Senado em 2026. Pré-candidato ao governo do Paraná, Moro aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Graeml disputou a Prefeitura como uma figura estranha na política, que viu sua campanha crescer entre a ala mais radical da direita – terminou com 390.254 votos no segundo turno. Nos debates, passou a chamar seu adversário, Eduardo Pimentel (PSD), de "candidato do sistema" e disse que não governaria com acordos e conchavos.

Nesta sexta-feira, apesar de todas as declarações dadas na campanha do ano passado, negou que tenha sido uma candidata "antissistema".

"Eu nunca me apresentei como candidata antissistema, quem fez isso foram vocês, no papel de jornalistas, cobrindo a campanha. Eu fui identificada como antissistema pelo meu eleitor."
Cristina Graeml

Um ponto que chama a atenção é o fato de alguém que classificava seu adversário como "candidato do sistema" assinar a ficha de filiação do União Brasil, criado a partir de uma fusão entre DEM e PSL. O DEM é o antigo PFL, que teve sua origem na Frente Liberal, originada da ARENA, o partido que dava sustentação à ditadura militar. Puxando-se o fio da história, a base da ARENA foi a UDN (União Democrática Nacional), que reunia industriais, banqueiros e grandes fazendeiros. Mais "sistema" que isso fica difícil.

Adesão ao Centrão

Agora filiada ao União Brasil, a pré-candidata precisará explicar (espera-se) a adesão a um dos partidos que mais representa o Centrão – o grupo que esteve em todos os governos desde a redemocratização. Em Curitiba, o União apoia a administração de Eduardo Pimentel (adversário de Cristina em 2024); no Paraná, apoia o governo de Ratinho Júnior, do PSD (que vai lançar o possível adversário de Moro em 2026); e, no plano nacional, tinha cargos no governo Lula (PT), entre eles o de ministro do Turismo (Celso Sabino deixou o cargo nesta sexta-feira, 26).

O União Brasil apoiou maciçamente a PEC da Blindagem, enterrada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta semana: dos 59 deputados federais do partido, 53 votaram pela aprovação da proposta de emenda constitucional, que impediria a abertura de processos criminais contra parlamentares sem autorização prévia do Legislativo. Na CCJ do Senado, Moro votou contra, mas antes tentou "salvar" a proposta.

Próxima pergunta, por favor

Pelo tom da coletiva desta sexta-feira, Cristina Graeml deverá seguir sem comentar assuntos que a desagradam, como fez na campanha do ano passado quando questionada sobre a vacinação contra a covid ou a contestação do resultado da eleição presidencial de 2022 (que resultou na baderna promovida por bolsonaristas em Brasília no 8 de janeiro de 2023). Graeml não quis falar sobre a suspeita de ligação entre o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

“A gente só queria, por questão de tempo e tudo mais, que focassem na questão da filiação, da pré-candidatura ao Senado, da pré-candidatura ao governo, da nossa união, da nossa força, da nossa coragem para enfrentar o que precisa ser enfrentado", respondeu Cristina. A defesa de Rueda coube a Moro: "Essa testemunha que o senhor mencionou é filiada ao PSOL. Qual a coincidência?", questionou o senador ao jornalista que fez a pergunta. Rueda é suspeito de ser dono de aeronaves utilizadas por integrantes do PCC.

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Em nota, senador afirmou que entidades foram descredenciadas após denúncia do Procon-SP

Moro esteve reunido com Ratinho Júnior nesta semana, no Palácio Iguaçu. Nesta sexta, disse que não faz oposição ao governo e que não existe divergência ideológica. "Vou respeitar as opções do governador. Mas nossos adversários são muito claros: PT, esse sistema que gira em torno do PT e o crime organizado". Cristina fez questão de dizer que o União não integra mais o governo Lula. "Chego ao partido no momento que o partido está fora do governo Lula".

Disputa por votos

A filiação de Cristina ao União Brasil foi possibilitada pela chegada de Sergio Moro à presidência do partido no Paraná – ele assumiu o comando regional da legenda no início do mês, em evento com Antonio Rueda. No Podemos, a jornalista não tinha garantida sua candidatura ao Senado – no Paraná o partido é controlado pelo ex-senador Alvaro Dias, que poderá tentar voltar ao posto na eleição do próximo ano.

Plataforma indica que 88% do plano de Governo de Cristina Graeml foi gerado por Inteligência Artificial
ZeroGPT indica trechos de textos criados por IA. Plano de Eduardo Pimentel tem 0,8%

Caso consiga garantir sua candidatura a uma das duas vagas no Senado, Cristina vai disputar os votos da direita e da extrema direita com ao menos um concorrente de peso neste campo, o deputado federal Filipe Barros (PL), apoiado oficialmente por Jair Bolsonaro. O Partido Novo também deverá lançar candidato – que poderá ser o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, caso ele não consiga viabilizar sua candidatura ao governo. Resta saber como ficará o PSD de Ratinho Júnior – se o governador não concorrer à Presidência, sua eleição para o Senado é dada como certa em 2026.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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