A criação do Parque Nacional Araçatuba-Quiriri pelo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) gera dúvidas em agricultores do Paraná e de Santa Catarina, onde está a área abrangida pelo projeto. Para sanar dúvidas e combater a desinformação, na última semana o deputado estadual Goura (PDT) organizou uma reunião em Tijucas do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Dezenas de pessoas acompanharam o encontro e fizeram perguntas sobre a proposta apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente pelo deputado Goura e polo deputado estadual Marquito (PSOL), de Santa Catarina.
A criação de uma Unidade de Conservação Federal abrangendo as Serras do Araçatuba e Quiriri, na divisa entre o Paraná e Santa Catarina, vem sendo discutida com o ICMBio. A intenção é criar um mecanismo de potencialização da vocação turística e proteção ambiental daquele território, que abrange parte dos municípios de Joinville, Campo Alegre e Garuva, em Santa Catarina, e Tijucas do Sul e Guaratuba, no Paraná.
No entanto, há dúvidas entre os agricultores, sobretudo no que tange às próprias atividades e desapropriações. O deputado Goura explicou que, em 2024, foi solicitado à então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, um estudo sobre a possibilidade da implantação de uma área de conservação englobando esse conjunto natural e cultural que reúne as duas serras.

“O Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, é uma área que fomenta o turismo em toda a região e o ICMBio está fazendo uma gestão para ampliar esse turismo para além dos municípios de Foz do Iguaçu, para pegar os municípios lindeiros ao parque, isso tudo está acontecendo”, disse ao citar também os exemplos dos parques nacionais de Itatiaia, no Rio de Janeiro, e o de Itaimbezinho, entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
“E é isso que a gente está defendendo, que essa área tenha um status de preservação, para que a gente possa garantir que esse ambiente natural tão magnífico e tão importante para a ecologia, seja devidamente preservado, que a visitação seja ordenada, tenha controle, tenha segurança. E tudo isso está sendo desenhado pelo ICMBio”, ressaltou Goura.
Para o parlamentar, ao longo do processo, houve falhas de comunicação que prejudicaram o debate e deu abertura para que se criasse um terrorismo a respeito do projeto. Porém, frisou que o projeto visa a proteção ambiental, o fortalecimento do turismo e da economia da região.
No fim do ano passado uma comitiva de deputados catarinenses foi à Brasília e na sede do ICMBio se manifestou contra a criação da área de preservação.
“É preciso ressaltar que a proposta engloba apenas as encostas das montanhas, que já são áreas de preservação permanente, junto com os campos de altitude. Não tem área produtiva dentro da proposta, ninguém vai perder a sua área de produção, a produção agrícola e mesmo plantações, às vezes de pinus, de eucalipto, que estão no entorno”, disse Goura.
“Ninguém vai ter a sua área, onde a sua família, os seus avós, os seus bisavós, talvez já estejam há várias gerações plantando. Não vai acontecer isso, a proposta está pegando a encosta das montanhas, as áreas de nascentes, as áreas de mananciais e os campos de altitude que já estão completamente fragilizados”, assegurou.
