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Conselho Municipal do Meio Ambiente rejeita apoio a tombamento do Bosque da Copel

Área com 47 mil metros quadrados de vegetação no Bigorrilho tem futuro incerto. Tombamento será decidido pelo Conselho de Patrimônio

Conselho Municipal do Meio Ambiente rejeita apoio a tombamento do Bosque da Copel
Bosque tem 37 mil metros quadrados e abriga nascentes. Foto: Reprodução

O Conselho Municipal do Meio Ambiente de Curitiba rejeitou nesta quinta-feira (21 de maio) a aprovação de um moção de apoio ao tombamento do Bosque da Copel, área com 47 ml metros quadrados de vegetação no bairro Bigorrilho. Apresentada na reunião de 6 de março, a moção foi rejeitada com 11 votos contrários e sete favoráveis. O processo de tombamento segue em tramitação no Conselho de Patrimônio, sem prazo para conclusão.

Dos 11 votos contrários, seis vieram de representantes de órgãos municipais. Também votaram contra Federação da Indústrias do Paraná (Fiep), Associação Comercial do Paraná (ACP), OAB-PR, Conselho Regional de Química e IAT (Instituto Água e Terra) – órgão estadual responsável pela emissão de licenciamentos ambientais no estado.

A vereadora Laís Leão (PDT), que propôs o tombamento, disse considerar estranho órgãos de proteção do meio ambiente votarem contra. “Os únicos votos a favor foram das organizações sociais ambientalistas, de uma secretaria, a Secretaria de Educação, do IFPR e do IBAMA. Fiquei especialmente decepcionada com o IAT e com a OAB. A moção poderia ser enviada ao Conselho Municipal de Patrimônio. A ideia era que o Conselho de Meio Ambiente desse um aval”.

Segundo a vereadora, os representantes da prefeitura demonstraram preocupação com a possiblidade de aumento no número de tombamentos. “O Conselho se recusou a assinar uma moção de apoio com surpreendentes votos contrários de entidades que deveriam proteger o meio ambiente, como o IAT e a Secretaria do Meio Ambiente, que achou que não cabia um apoio ao tombamento porque teriam que aprovar moções para todos os bosques da cidade”.

Área foi vendida em 2024

Em outubro de 2025, Laís Leão encaminhou pedidos de informação para a Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU) e para a Secretaria de Meio Ambiente (SMMA), depois de moradores da região do Bigorrilho receberem material publicitário sobre a construção de prédios no local. Eles também relataram degradação no bosque, com o secamento de araucárias e outras espécies nativas.

A prefeitura respondeu que não havia nenhuma solicitação de autorização para corte de vegetação ou edificações no local e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou uma investigação preliminar para apurar se houve supressão e degradação ambiental.

Em resposta a um ofício encaminhado por Laís Leão e pela vereadora Giorgia Prates (PT), a Copel informou no fim de outubro que a área havia sido vendida em setembro de 2024, após a privatização da companhia. Só a área onde fica a edificação conhecida como "chapéu pensador" ainda é pública e pertence à prefeitura, que disse não ter a intenção de promover alterações no local.

Só menor lote pertence à prefeitura / Reprodução

Em março, os vereadores Indiara Barbosa e Rodrigo Marcial (ambos do Partido Novo) apresentaram uma proposta para permitir que proprietários de bens em processo de inventário e tombamento fiquem livres para promover modificações nos imóveis enquanto o processo estiver em andamento.

"Afluente do Rio Barigui, do parque daqui vizinho"

Em dezembro de 2018, o então prefeito Rafael Greca assinou um protocolo para transformar a área em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM). Segundo Greca, a criação da Reserva possibilitaria proteger “o manancial onde brotam as nascentes do Rio Campina do Siqueira, afluente do Rio Barigui, do parque daqui vizinho”. Após o anúncio da venda da área, o ex-prefeito silenciou sobre o assunto.

Além de Greca, assinaram o protocolo a então governadora Cida Borghetti (PP), o presidente da Copel na época, Jonel Iurk, e a secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias – que permanece no cargo na gestão de Eduardo Pimentel (PSD) e votou contra a moção de apoio ao tombamento nesta quinta.

A secretária Marilza Dias, Rafael Greca, Cida Borghetti e Jones Yurk em dezembro de 2018: projeto de criar reserva não sobreviveu à privatização da Copel / Foto: Luiz Costa/SMCS

Votaram a favor

Votaram contra

Conselho Regional de Química

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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