O senador Sergio Moro (PL-PR) atribuiu a uma "manobra" do governo Lula (PT) a perda de sua vaga de titular na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que vai sabatinar nesta quarta-feira (29 de abril) o indicado do presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias. Moro foi substituído na CCJ por ter deixado o União Brasil para se filiar ao PL no dia 24 de março.
A CCJ do Senado é formada por 27 titulares e 27 suplentes e as vagas são distribuídas proporcionalmente entre partidos e blocos. Moro foi indicado pelo bloco formado por União Brasil, MDB, Podemos e PSDB. Ao deixar o União Brasil, foi substituído Renan Filho (MDB) como titular.
No fim da tarde desta terça-feira (28), o PL indicou Sergio Moro para a CCJ e ele participará da sabatina de Jorge Messias na condição de suplente.
Em vídeo divulgado na segunda-feira (27), Moro atribuiu sua substituição a uma "manobra" do governo Lula – e não ao Regimento Interno, que regulamenta a distribuição das vagas entre partidos e blocos.
"O governo Lula não tem certeza da aprovação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Só isso explica a manobra, a meu ver imoral, que adotaram na data de hoje. Fui surpreendido agora com a notícia, sem ter sido consultado previamente, que fui substituído na CCJ do Senado", disse Moro.
"Tudo bem, é do jogo político. Mas reflete a incerteza e a insegurança do governo Lula quanto à aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Eu, nessa circunstância, sou obrigado a adiantar aqui o meu voto, serei contra."
Sergio Moro, senador, sobre a indicação de Jorge Messias ao STF
A fala gerou uma reação da ex-presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). "Sergio Moro, é impressionante. Você usa a mentira como método de vida para se fazer de vítima. Você foi substituído na CCJ porque você trocou de partido".
A deputada lembrou que Moro foi indicado para a Comissão mais importante do Senado pelo bloco do qual fazia parte. "Os blocos têm vagas nas comissões e indicam seus membros. Você mudou para o PL para ser candidato a governador, fazendo aliança com o Bolsonaro, que tanto criticou", disse Gleisi Hoffmann. "Mas você pode continuar na CCJ, sim. Peça ao PL para lhe indicar".
"Você poderá sabatinar Jorge Messias. Nós não temos medo de você. O que você não pode é ficar mentindo para as pessoas e se fazer de vítima. Isso é feio e mostra seu fraco caráter, ou a ausência dele."
Gleisi Hoffmann, ex-presidente nacional do PT, para o senador Sergio Moro