O motorista que usar a BR-277 entre Curitiba e as praias depois da implantação do novo pedágio pagará uma tarifa de R$ 19,54. O valor foi definido num leilão sem concorrência, em que apenas um consórcio apresentou proposta, e valerá a partir do início do ano que vem. O contrato previsto no edital é de 30 anos, com possibilidade de renovação por mais cinco.
Os novos preços ficaram muito próximos do teto definido pelo governo de Ratinho Jr. (PSD) no edital. Único interessado a apresentar uma proposta, o Consórcio EPR, formado por Equipav e a Perfin, se propôs a dar um desconto de apenas 0,08% em cima do teto. Na maior parte das praças de pedágio do lote leiloado nesta terça, isso significou apenas R$ 0,01 abaixo do teto. Na prática, o teto virou o valor da tarifa.
Mesmo assim, o governador Ratinho comemorou o resultado, apresentando uma conta que compara os valores novos com os preços cobrados no antigo pedágio, encerrado em dezembro de 2021. Em 2022, durante o processo eleitoral em que garantiria seu segundo mandato de governador, Ratinho deixou as cancelas abertas.
Os descontos em relação a 2021, disse Ratinho, chegam a 56%. A conta do governo, porém, não leva em consideração que o número de praças de pedágio aumentou. No caso do Lote 2 - que além do trecho entre Curitiba e o Litoral inclui as estradas que levam de Ponta Grossa ao Norte Pioneiro - são três novos pontos de cobrança. Haverá novas praças em Quatiguá, Sengés e Jacarezinho.
Com o leilão desta sexta, na Bolsa de Valores de São Paulo, o grupo EPR obteve uma concessão de 30 anos para 604 km de rodovias. O contrato prevê investimentos de R$ 10,8 bilhões ao longo dos próximos anos, a fim de criar 350 km de duplicações de pistas e 138 km de faixas adicionais.
O baixo desconto apresentado não foi interpretado como um sinal de perigo pelo Presidente do Infra, Jorge Bastos, que esteve presente no leilão de hoje. “Este desconto é pequeno mas para mim é muito gratificante porque o projeto é bem realizado. Quando você tem um desconto grande, você fica em dúvida de como foi feito este projeto. Um desconto palatável é muito gratificante”, afirmou o presidente do Infra durante sua fala.
De acordo com as palavras do Ministro dos Transportes Renan Filho, este projeto pode levar novos investimentos ao Paraná. “A entrada de dois novas empresas no Paraná, como o Grupo Pátria e o Grupo EPR, é uma garantia para evitar concentração de mercado”, disse o ministro referindo-se aos problemas que surgiram com as concessionárias no passado no Paraná.
Mais concorrência, mais desconto
Ao longo da última semana, muitos analistas previram que poucas empresas poderiam estar interessadas no lote 2. A ausência de competição certamente contribuiu para diminuição de percentual de desconto por parte da única empresa que se apresentou ao leilão.
De acordo com a advogada Aline Klein, especialista em infraestrutura e sócia do escritório Vernalha Pereira, os R$ 10 bilhões de investimentos nos primeiros sete anos de contrato limitaram o número de empresas que poderiam ser interessadas na gestão das rodovias no Paraná. Por outro lado, a falta de outras ofertas terá provavelmente levado o grupo EPR a apresentar o menor desconto possível. “A presença de mais concorrentes teria levado a um desconto maior”, diz Aline Klein.