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O que vem pela frente sem Merkel?

Depois de 16 anos, chanceler alemã será substituída pela centro-esquerda. MAs mudanças radicais parecem improváveis

O que vem pela frente sem Merkel?
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É sempre difícil imaginar como a história vai ser escrita, mas olhando a partir de 2021 parece que os futuros cronistas de nossa época vão ter de reservar um bom espaço para Angela Merkel. A chanceler alemã, que na semana passada começou o seu adeus da política, governou o país por quatro mandatos, num total de 16 anos. A gestão dela responde por metade da era pós-reunificação da Alemanha. Mas o longo período de permanência no poder foi apenas uma de suas conquistas.

Desde 2005, Merkel conseguiu manter a Alemanha num caminho de diálogo e conciliação que vai na contramão do que muitas outras nações europeias e americanas vivem hoje. Enquanto no mundo prosperavam líderes histriônicos como o americano Donald Trump e autoritários como o turco Recep Erdogan, na Alemanha reinou uma paz invejável.

Por isso, a decisão de Merkel de não concorrer a um quinto mandato foi motivo de certa apreensão: como fica a Alemanha sem sua líder pacificadora? "Podemos esperar desafios, normal após um longo período de protagonismo. Adversários políticos, tanto internos quanto externos, vão tentar "testar a água" do eventual novo governo, ver o quanto ele resiste à provocações, pequenas crises e o quão coesa será uma nova coalizão de governo", diz Felipe Figueiredo, do podcast Xadrez Verbal, especializado em política internacional.

"Importante notar, entretanto, que, ao contrário de países como Itália e Espanha, onde as coalizões parlamentares duram pouquíssimo, a última vez que um governo alemão durou menos de quatro anos foi na década de 1960. Ou seja, quem for o novo líder de governo alemão provavelmente terá certo tempo, e paciência, para se estabelecer", afirma ele.

No entanto, os resultados das eleições nacionais mostram que os partidos de centro-esquerda e centro-direita deixaram os extremistas comendo poeira. Nam a ultradireitista AfP nem o partido mais radical à esquerda, o Die Linke, conseguiram resultados muito expressivos. A expectativa é que o SPD, de centro-esquerda, consiga formar um governo de coalizão com os Verdes, mas as negociações ainda podem demorar.

Para a professora de Relações Internacionais Luciana Worms, a tendência é que a Alemanha siga um caminho parecido com o que vinha sendo trilhado sob Merkel. "Vejo algumas pessoas da esquerda entusiasmadas com a vitória do SPD. Mas o partido já foi governo, e não fez nenhuma reforma radical, pelo contrário", diz ela. Ou seja, depois de um longo período de autoritarismos e ideologias extremas até o fim da Guerra Fria, os alemães agora parecem fadados a seguir por um longo tempo no rumo do centro.

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