Vai chegar um tempo em que as fotografias de celular terão uma resolução tão alta que substituirão as imagens dos microscópios eletrônicos, bastará um zoom nas selfies para mergulhar nos acidentes geográficos da nossa pele, nos diferentes tecidos de que somos feitos, nas células e nas moléculas que as constituem, nos átomos, nos elétrons em sua órbita de ansiedade e desespero e, por fim, no imenso deserto do entremeio, destino derradeiro de cada um de nós, o nihil - então virá a pandemia de depressão, o esgotamento dos estoques de citalopram das farmácias e o abandono dos aparelhos eletrônicos, considerados objetos impuros pelos sacerdotes de todas as religiões
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