A prefeitura de Maringá oficializou nesta segunda-feira (17) um termo de cooperação técnica entre a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher) e o Centro Universitário Cidade Verde (Unicive). A parceria vai expandir o atendimento psicológico oferecido às mulheres em situação de violência atendidas pelo Centro de Referência e Atendimento à Mulher (Cram).
A principal mudança na rotina da rede de proteção será o tempo de suporte. Atualmente, o Cram atua focado no acolhimento imediato e no atendimento às situações mais críticas de vulnerabilidade. Com a entrada da universidade, as vítimas terão acesso a um acompanhamento psicológico continuado, sem prazo fixo para o encerramento das sessões.
Segundo a vice-prefeita Sandra Jacovos, a ação se integra às políticas de acolhimento do Agosto Lilás. "Aquelas mulheres atendidas pelo Cram, ao final desse primeiro ciclo, serão encaminhadas para o curso de Psicologia para dar andamento ao tratamento. Isso fortalece as mulheres e garante uma qualidade de vida melhor", destacou. Ela também encorajou as vítimas a vencerem a vergonha ou o receio de buscar ajuda: "A mulher não pode ter receio ou qualquer sentimento que a impeça de acessar os seus direitos."
De acordo com a secretária da Mulher, Leila Domenici, o projeto preenche uma lacuna na assistência municipal. "O foco do Cram é o atendimento na fase mais crítica. Mas essas mulheres precisam de mais espaço, mais atenção e de mais tempo para se recuperarem. A parceria vai permitir que o acompanhamento dure o período que cada uma precisar", afirmou.
Para o reitor da Unicive, José Carlos Barbieri, o convênio une a formação acadêmica ao impacto social. "É a oportunidade de os nossos alunos terem mais um campo de estágio e poderem ajudar a nossa cidade a ter um ambiente mais favorável a todos", pontuou. Os atendimentos serão supervisionados pelos professores do curso de Psicologia da instituição.
Autonomia e rompimento do ciclo de violência
A iniciativa busca enfrentar um dos maiores obstáculos no combate à violência doméstica: o rompimento definitivo do ciclo de dependência do agressor.
Presente no evento, a presidente da Câmara Municipal de Maringá, vereadora Majô, ressaltou que o trauma psicológico e a dependência financeira impedem que muitas mulheres consigam reconstruir suas vidas. "A violência é um ciclo longo. Muitas vezes, mesmo que o ato seja pontual, as marcas ficam para o resto da vida. Defendemos políticas públicas com começo, meio e fim — não ações isoladas. A mulher precisa de suporte psicológico para ter forces, buscar independência financeira e se libertar de fato", pontuou.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade em Maringá podem buscar acolhimento diretamente no Cram, nas delegacias especializadas ou na Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, que faz o atendimento inicial e o encaminhamento para os serviços de suporte da rede municipal.
