Em clima de festa e com muitas bandeiras arco-íris começou na manhã deste domingo (3) a Marcha pela Diversidade, em Curitiba. Cerca de 3 mil pessoas são esperadas ao longo do dia. A concentração se deu às 10h na Praça 19 de Dezembro, no Centro. A previsão é que termine às 20 horas.
Os manifestantes seguem pela avenida Cândido de Abreu até a praça Nossa Senhora da Salette, no Centro Cívico. Esta é a 5ª edição da Marcha, que não aconteceu nos últimos dois anos por causa da pandemia da Covid-19.
"Este é um ano muito importante para o país, vamos votar consciente. Foram quatro anos muito difíceis, sobretudo para nós drag queen. Como artistas sofremos muito", diz Yasmin Carraroh, que é drag queen negra e foi para rua acompanhada pela amiga e drag queen, Tinna Simpsom.
Representantes da classe artística, uma das mais afetadas pelas políticas do governo federal que promoveu cortes pesados no orçamento da Cultura, também participam do evento, como a cantora Janine Mathias, 38, que desfila ao lado de MC PII. Coros "Fora Bolsonaro" foram entoados ao longo da caminhada.




"A marcha é um evento político que traz a sociedade para rua, não só a comunidade LGBTQIA+. A campanha deste ano é o voto consciente porque o nosso voto faz diferença, sim", afirma Tinna.
Por conta das eleições, o tema deste ano é “Marcha é a Democracia de Todas as Cores”. O objetivo do ato é levantar a importância do voto em pessoas que estejam comprometidas com a pauta dos direitos civis igualitários. Além disso, também haverá apresentações culturais com música e dança.
"A gente tem que saber escolher melhor nossos governantes para sermos livres. Violência, saúde, educação, acesso, tudo piorou para o público LGBTQIA+", diz João Ricardo, 39, supervisor de venda, que participa do evento ao lado do marido Fabio Pinheiro com o qual é casado há quatro anos.
A Marcha é coorganizada pelo coletivo Cassia, Aliança Nacional LGBTI+, União Nacional LGBT e Grupo Dignidade.







Políticos também marcaram presença: a vereadora Professora Josete (PT) e as pré-candidatas à deputada estadual Roberta Cibin (PDT), Carol Dartora (PT) e Maria Letícia (PV).
O casal Lidiane Domingues e Ketlyn Domingues participa do evento pela primeira vez com o filho Thomas Bonete, 6. As duas mães dizem que Thomas tem sofrido preconceito na escola por ele ser filho de duas pessoas LGBTQIA+ e que ter contato com pessoas da comunidade é uma forma para que ele possa se defender dos outros alunos.
"Este foi um tempo muito difícil para a família LGBTQIA+. A gente veio para reafirmar o que é a nossa vida e o quão é importante é isso para nós. A administração da escola entende a questão, mas o problema são os coleguinhas que não entendem porque ele tem duas mães. As crianças são muito acostumadas ao que elas consideram 'normal', de ter uma família de um pai e uma mãe", explica Ketlyn.
*Colaborou Aline Reis