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Mãe de bebê reborn é a única maternidade possível em Curitiba

Estrutura milionária da comunicação faz piada enquanto ainda temos fila para as creches e calçadas que exigem carrinhos de bebê off-road

Mãe de bebê reborn é a única maternidade possível em Curitiba
Foto: Shanthi Raja / Unsplash
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A prefeitura de Curitiba resolveu aproveitar a notícia de que a cidade ganhou uma loja de bebês reborn - aqueles bonecos realistas de bebês recém-nascidos - para fazer piadinha nas redes sociais. "Mães de bebê reborn não tem (sic) direito ao banco preferencial", diz a publicação do governo municipal nas redes.

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É tudo muito engraçado, exceto que quem é mãe nessa cidade sabe que talvez a única maternidade possível por aqui é essa. Porque enquanto a equipe de milhões da Comunicação da Prefs faz piadinha, Curitiba ainda:

  1. tem as piores calçadas: no centro e bairros centrais, a falta de manutenção nas calçadas de paralelepípedos, a falta de fiscalização em obras e a simples falta de cuidado geral produz calçadas inclinadas demais, com buracos, com pedras soltas ou simplesmente ocupadas por estandes de vendas de imóveis. Mães com bebês no sling ou no carrinho, idosos, pessoas com deficiências, crianças pequenas, sofrem diariamente para andar na cidade, um direito básico, mas tão desrespeitado por aqui.
  2. tem mais de dez mil crianças na fila para uma vaga nas creches municipais
  3. Oferece creche só das 8 às 17 horas, porque os funcionários dos CMEIs não podem fazer hora extra, nem há mais a função de zeladoria nas unidades. Os pais de crianças matriculadas nos CMEIS tem 15 minutos de tolerância de atraso na entrada e na saída das escolas, o que é inviável para quem trabalha 8 horas.
  4. não tem atendimento a crianças neuro atípicas na escola, obrigando as famílias a levarem (mesmo as crianças que estão supostamente no ensino integral) os filhos em atendimentos no contraturno. Além disso, o atendimento com fonoaudiólogos, psicólogos que acontecia nos Centros Especializados, agora precisa ser feito através da rede de saúde, obrigando as mães a ter que fazer dois processos distintos para conseguir o mesmo atendimento para os filhos. A prefeitura, essa pândega, acha que faz muito mais sentido deslocar centenas de crianças da escola para o CMAEE ao invés de deslocar meia dúzia de profissionais do CMAEE para as escolas.
  5. decidiu exigir que as mães assinem uma autorização de uso de imagem para que funcionários da prefeitura, políticos e qualquer outra pessoa que visite CMEIs e escolas municipais possam tirar fotos das crianças SEM O ACOMPANHAMENTO DOS PAIS e divulgar nas redes sociais livremente.
  6. fechou a Maternidade Bairro Novo em plena pandemia de Covid-19 (assim como fechou também a maternidade Victor Ferreira do Amaral)
  7. só libera profissional de apoio para estudantes da rede municipal de ensino com problemas de mobilidade/autonomia
  8. não permite que crianças do ensino integral da rede municipal frequentem as aulas do contraturno em apenas parte da semana

Essa lista é só o que me ocorre no momento, mas certeza que outras mães saberão incluir outros itens.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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