Um feminicida interrompeu os sonhos de Thaissa Gabriely Oliveira Marques, estudante de 21 anos, na tarde de sexta-feira, 12 de setembro, na zona Leste de Londrina. O rapaz de nome Gabriel, preso logo após o crime, contou à Polícia Militar que pretendia estuprar a jovem, que resistiu. Ele, então, matou Thaissa com dezenas de facadas.
Thaissa era estudante de Nutrição em uma universidade particular, que emitiu nota de pesar na qual diz que a jovem “deixará saudades e será lembrada com carinho por todos que tiveram a oportunidade de compartilhar sua trajetória acadêmica e sua presença em nossa comunidade.”
O feminicídio provocou comoção na cidade. A prefeitura de Londrina e o prefeito, Tiago Amaral, também se pronunciaram. Em vídeo nas redes sociais Amaral destacou o trabalho das polícias na prisão do agressor e pediu rigor nas investigações.
“O que a gente espera mesmo é uma punição exemplar. Essa punição deveria inibir qualquer outra pessoa de pensar em cometer um crime como esse. Não é possível que as mulheres da nossa cidade, e do mundo todo, tenham que passar por uma situação como essa, a pior situação possível.”

Jovem estava trabalhando
Thaissa trabalhava como promotora de uma unidade de academia de rede nacional que estava prestes a inaugurar na Avenida Celso Garcia Cid, ponto de grande movimento de veículos. O agressor teria se aproximado dela, pedindo informações sobre a academia e querendo conhecer o espaço. Ao acompanhá-lo para o interior da loja, Thaissa foi atacada.
À polícia, o feminicida confessou que pretendia estuprar a jovem, que resistiu. Ele portava a faca utilizada no crime.
Câmeras de segurança dos arredores gravaram a saída do agressor do local. Ele estava com um ferimento na mão e pediu ajuda em uma oficina próxima. O proprietário, desconfiado, acabou acionando o SAMU e a PM.

Outras mulheres denunciam
Uma empresária que mora próximo ao local onde aconteceu o feminicídio procurou a polícia para prestar depoimento. Ela suspeita que Gabriel seja o homem que invadiu sua residência no último dia 7 de agosto e instalou uma pequena câmera, que ela encontrou somente dias depois, na área da piscina. Imagens da câmera de segurança da casa registrou a movimentação do rapaz no imóvel.
Outra mulher, em rede social, afirmou ter sido perseguida pelo jovem há poucos dias, quando praticava corrida de rua, na mesma região. Ele a teria perseguido até que ela alcançasse a portaria do prédio onde mora.
Entidades prestam solidariedade
O Laboratório de Estudos de Feminicídio da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem-UEL) divulgou nota de pesar na qual reitera que “A violência que tirou a vida de Thaissa não é um caso isolado, mas parte de uma estrutura que o Lesfem monitora e denuncia.”
Néias-Observatório de Feminicídios de Londrina também divulgou nota pública de indignação e solidariedade à família, amigos e amigas de Thaissa. A associação lembra que a ausência de vínculo entre a jovem e o agressor não exclui a classificação como feminicídio, reconhecida pela legislação brasileira. E acrescenta:
“É preciso compreender que nossa estrutura social está fraturada quando um homem desconhecido se sente à vontade para abordar e assassinar uma mulher apenas pelo que ela é.”