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Funcionário da prefeitura rasga cartaz "Fora, Bozo" de professora em fila de vacinação

Caso aconteceu na Unidade de Saúde Vila Feliz, no Bairro Novo, em Curitiba

Funcionário da prefeitura rasga cartaz "Fora, Bozo" de professora em fila de vacinação
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Nesta quarta-feira (16), a professora Eliane Basilio de Oliveira foi surpreendida na fila de vacinação contra a Covid-19 por um funcionário da prefeitura de Curitiba que a impediu de se expressar contra o governo federal. Ele rasgou o cartaz que ela empunhava com os dizeres ”Viva o SUS. Fora Bozo”. O episódio aconteceu por volta do meio-dia na Unidade de Saúde Vila Feliz, localizada no bairro Novo Mundo.

De acordo com Eliane, ela e seu marido, o jornalista e também professor Marcelo Fernando de Lima, estavam na fila esperando para receber o imunizante quando foram abordados pelo rapaz que estava na etapa de distribuição de senhas e preenchimento de fichas de cadastro: “Ele lá de dentro falou: ‘Não pode!’, respondi ‘Como não pode?’ e ele disse que lá não podia haver pronunciamentos políticos, que não era um lugar político. Então dobrei o cartaz de forma que não ficasse com nenhum nome aparecendo e entrei na sala pra evitar maiores confusões”. 

Porém, segundo a professora, o problema não parou por aí. “Depois da entrega do material preenchido e com a senha, você aguarda ser chamado para realmente ser vacinado. Quando cheguei nesse portão, antes de falar com a outra atendente que estava ali, ele me atacou, catou o cartaz na minha mão, amassou e disse ‘isso aqui não pode’. Ele tomou, simplesmente tomou. Ele foi me seguindo enquanto eu estava subindo, até eu ficar encurralada no lugar onde ele pudesse me atacar. Eu fui atacada. Ele me atacou pulando na minha mão, catando o meu cartaz, amassando, jogando fora e sumindo de cena, porque ele fez isso e desapareceu. O meu marido estava com um cartaz ‘Fora, Bolsonaro’ nas costas e ele não fez nada. A agressão foi comigo, reproduzindo novamente aquilo que a gente costuma ver das violências de gênero”, relata.

Rosimeri Aparecida Meira, que estava no local, também relatou surpresa com a situação: ”Não é uma coisa que você está esperando, porque a gente imagina que ainda estamos num país democrático onde a livre opinião seja para todos. A minha maior indignação foi saber que nós estamos perdendo o direito de nos expressarmos. Horrível, uma sensação de impotência, de impunidade.” Com tudo isso, ela decidiu fazer uma reclamação para a prefeitura através da Central de Atendimento 156.

Eliane conta que, após o ocorrido, encontrou solidariedade entre os demais presentes e que logo entrou em contato com a chefe da unidade que a informou de que iria conversar com o sujeito acerca dos acontecimentos. A professora, que também fez reclamação no 156, agora pretende abrir um boletim de ocorrência relatando os acontecimentos. 

“A ação que ele fez foi de violência, de censura, não existe nenhum cartaz em nenhum lugar que dizia que eu estava proibida de me manifestar. Eu estava manifestando de forma silenciosa, não estava gritando, não estava fazendo qualquer tipo de ação, eu estava manifestando de maneira individual dentro de um espaço público, num país onde 500 mil pessoas estão mortas, porque não tiveram acesso à vacina.”

Entramos em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.

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