O Espetacular Homem-Aranha 2 é hoje visto com uma perspectiva que o lançamento em 2014 não permitia, com o retorno de Andrew Garfield em Homem-Aranha. Sem Volta para Casa em 2021 tendo criado uma reavaliação do personagem que tornou a relação de Peter e Gwen, e especialmente a morte dela, num arco emocional que a trilogia do MCU usou com inteligência. A performance de Garfield em Sem Volta para Casa, com a cena em que ele finalmente salva a garota que o seu Peter Parker não conseguiu salvar, criou uma resolução retroativa para a franquia The Amazing que o segundo filme de Marc Webb não havia conseguido oferecer.
O que O Espetacular Homem-Aranha 2 acertou
A franquia The Amazing Spider-Man nunca recebeu crédito suficiente pela especificidade emocional que Andrew Garfield trouxe ao personagem de Peter Parker, com um nerd de laboratório que é simultaneamente engraçado, vulnerável e genuinamente empenhado em usar o poder que teve para proteger pessoas que ele ama. Essa versão de Peter, que era muito mais verborrágica e muito mais extrovertida do que a de Tobey Maguire e que prefiguraria alguns aspectos do Peter de Tom Holland, funcionou melhor nos dois filmes da franquia do que as críticas da época reconheceram.
Uma das sequências mais comentadas pelos fãs de Garfield e Stone nos dois filmes da franquia The Amazing é a cena do guarda-chuva no segundo filme, onde Peter e Gwen têm uma conversa sobre o futuro do relacionamento deles que tinha a qualidade de um filme de romance independente que havia se perdido dentro de um blockbuster de super-herói. Esse tipo de cena, onde os dois atores simplesmente conversam com a naturalidade de pessoas que se conhecem profundamente, confirmava que o que havia de melhor na franquia estava na relação entre os protagonistas.
Hans Zimmer e o coletivo de compositores
A trilha de O Espetacular Homem-Aranha 2 foi criada por um grupo que Hans Zimmer montou especificamente para o projeto, batizado de The Magnificent Six e incluindo Pharrell Williams, Johnny Marr da banda The Smiths e Michael Einziger do Incubus. Essa combinação improvável de músicos de rock, pop e cinema produziu uma trilha que soa diferente de qualquer outra do gênero de super-heróis.
O tema de Electro, que incorpora vozes sussurrando os pensamentos do personagem sobre a música eletrônica, é o experimento mais ousado da trilha e um dos elementos do filme que a crítica reconheceu como genuinamente original mesmo dentro de uma produção com problemas estruturais.
A morte de Gwen Stacy adapta uma das histórias mais famosas dos quadrinhos do Homem-Aranha, publicada em 1973, que é frequentemente citada como o momento em que os quadrinhos de super-heróis americanos deixaram a era de inocência. Na versão original, existe ambiguidade sobre se foi a teia de Peter ou a queda que matou Gwen, uma questão que os quadrinhos deliberadamente deixaram em aberto.
O filme preserva essa ambiguidade visualmente, mostrando o momento em que a teia alcança Gwen e o impacto sem esclarecer definitivamente qual dos dois eventos foi fatal.
O legado da franquia interrompida
Os dois filmes da franquia The Amazing Spider-Man existem hoje como um capítulo incompleto na história cinematográfica do personagem, uma trilogia planejada que virou díptico por decisão corporativa. Essa incompletude é parte do que torna a franquia interessante para análise, já que ela representa uma direção criativa que foi abandonada antes de se desenvolver plenamente.
O retorno de Garfield em 2021 ofereceu retroativamente o encerramento emocional que o segundo filme havia deixado em aberto, transformando uma franquia interrompida em algo com conclusão narrativa satisfatória.
Hans Zimmer e o coletivo Magnificent Six criaram para O Espetacular Homem-Aranha 2 uma trilha que foi amplamente discutida como experimento sonoro incomum para um blockbuster de super-herói, com as músicas de Electro usando sons eletrônicos e vocais que criavam um design sonoro próximo de música eletrônica experimental. Essa ambição musical, que funcionou bem nas sequências específicas do personagem, foi mais um elemento do filme que a crítica reconheceu como mais interessante do que a avaliação geral do produto sugeria.
A franquia The Amazing nunca recebeu crédito suficiente pela especificidade emocional que Garfield trouxe ao personagem, com um nerd de laboratório simultaneamente engraçado, vulnerável e genuinamente empenhado em proteger as pessoas que ama. A cena do guarda-chuva, onde Peter e Gwen conversam sobre o futuro do relacionamento com a qualidade de um filme de romance independente, confirma que o que havia de melhor na franquia estava na relação entre os protagonistas, e é o tipo de momento que a crítica reconheceu como superior à avaliação geral do produto.
O segundo filme permanece um objeto contraditório, com sequências de excelência genuína convivendo com problemas de estrutura que nenhuma montagem alternativa resolveria. Essa mistura de acertos e falhas dentro do mesmo produto é o que torna a franquia mais interessante para análise do que produções uniformemente competentes, porque expõe com clareza incomum as tensões entre visão criativa e planejamento comercial que moldam o cinema de grande orçamento. O retorno de Garfield em Sem Volta para Casa, com a cena em que ele finalmente salva a garota que seu Peter não conseguiu salvar, criou uma resolução retroativa que a franquia original não havia conseguido oferecer por conta própria. Vista com a perspectiva que o tempo permite, a franquia revela qualidades que a recepção apressada de 2014 simplesmente não conseguiu enxergar naquele momento.