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Empresa pivô da Lava Jato de Santa Catarina ganhou contrato polêmico no Paraná

Centro de tratamento de resíduos de Itambé acabou nunca sendo construído depois de denúncias

Por mattia
Empresa pivô da Lava Jato de Santa Catarina ganhou contrato polêmico no Paraná
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A empresa Serrana Engenharia, principal alvo da operação Mensageiro do Ministério Público de Santa Catarina, também obteve um contrato na cidade de Itambé, município da região de Maringá. Desde 2022, a empresa de Joinville está sendo investigada na chamada 'Lava Jato catarinense', que tem como foco a relação entre a Serrana Engenharia e vários políticos locais, a quem teria pago uma ‘mesada’ em troca de contratos de coleta e destinação de lixo em mais de vinte cidades do estado.

Em Itambé, porém, a empresa ganhou a licitação relativa à construção do Centro de Tratamento de Resíduos e à gestão dos serviços de aterros sanitários - serviço que a empresa também oferece em três cidades de Santa Catarina envolvidas na operação. A construção do aterro era uma obra desejada pela população de Itambé, porque até aquele momento o município utilizava um lixão para eliminar os resíduos.

Pouco tempo depois, a população da cidade denunciou que o objetivo da empresa não se limitava à criação de um aterro local, mas um de nível regional, e por conta disso teria pressionado os vereadores para que fosse aprovada na Câmara Municipal uma lei que permitisse a chegada de resíduos também provenientes de outras cidades.

A lei foi efetivamente aprovada em 21 de setembro de 2015 e por esta razão o Instituto Lixo e Cidadania Maringá e Região propuseram uma ação civil contra a Câmara Municipal de Itambé, por ter sancionado uma lei que beneficiava exclusivamente a Serrana Engenharia Ltda. Além disso, foi alegado que se o aterro tivesse sido criado, teria causado graves danos ao meio ambiente e teria violado as principais normas do governo federal sobre os resíduos sólidos.

Em novembro de 2015, o Ministério Público do Paraná acrescentou que nem a empresa nem o município fizeram um estudo para avaliar o impacto ambiental de um aterro naquele território e que a obra, portanto, poderia ter causado “danos irreparáveis ou de difícil reparação ao meio ambiente”. Por conta disso, o juiz de direito da Comarca da Região de Maringá, Max Paskin Neto, concedeu uma liminar e interrompeu as obras de construção do aterro. Um ano depois, o mesmo juiz encerrou o processo declarando-se incompetente para avaliar se a lei aprovada pela Câmara Municipal era constitucional ou não e o processo foi encaminhado ao Tribunal de Justiça.

A construção do aterro foi interrompida mais duas vezes por decisões judiciais, mas a partir de meados de 2018 teve a autorização de continuar e atualmente está em operação, administrado por uma filial da Serrana Engenharia.

Entenda o sistema

Em 6 dezembro de 2022, o Gaeco deflagrou a primeira fase da operação Mesangeiro, que até agora é considerada a maior investigação de combate à corrupção da história de Santa Catarina. O cerne da investigação é a Serrana Engenharia, empresa que ganhou importantes contratos de coleta de lixo em quase vinte cidades do estado graças a propinas pagas à classe política regional. Até o momento, foram presos 16 prefeitos catarinenses, que de acordo com as denúncias apresentadas pelo MP teriam recebido quase R$ 100 milhões em propina graças ao ‘mensageiro’, ou seja, um ex-funcionário paranaense da Serrana que não trabalhava na empresa há dez anos, mas que teria sido a figura encarregada de manter o relacionamento com a classe política. 

Além disso, representantes da empresa teriam apresentado a esses políticos editais para evitar que outros concorrentes tivessem qualquer chance de ganhar os contratos. Em troca, esses agentes públicos recebiam uma 'mesada' de mais de R$ 5 mil por meio de "Paulo", codinome do mensageiro da Serrana. Em suas quatro fases, a operação Mensageiro já cumpriu mais de 200 mandados de busca e prisão e 40 ações preventivas. Embora a investigação continue, o processo eletrônico ainda está sob sigilo e por conta de uma decisão da Justiça os jornalistas não podem revelar os nomes dos prefeitos que decidiram colaborar com as autoridades em troca de uma pena reduzida.

O grupo Serrana afirmou que se manifestará apenas através os autos do processo e ao mesmo tempo sublinhou o excelente trabalho desenvolvido pela empresa ao longo dos últimos trinta anos.

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