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Um negócio de Natal

Papai Noel de Curitiba se prepara desde agosto para trazer a magia do Natal as famílias durante fim de ano

Um negócio de Natal
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No período natalino uma figura muito emblemática não pode faltar: o Papai Noel. De trajes vermelhos, barba branca e um barrigão, é possível encontrar o bom velhinho em quase todos os lugares da cidade, seja na decoração ou em pessoa. É difícil saber quantas pessoas trabalham como Papai Noel em Curitiba, mas estima-se que existam pelo menos 250 deles espalhados pela cidade.

De acordo com a Agência do Papai Noel, que atua há 12 anos no mercado, cerca de 250 papais-noéis trabalham na cidade durante o Natal. O número pode ser ainda maior, já que nem todos os bons velhinhos fazem parte da agência, como Romildo Kulyk, Papai Noel há 10 anos, que atua sozinho e marca suas próprias visitas. “Me tornei Papai Noel de forma totalmente despretensiosa. Em um dia de trabalho, eu, que trabalhava com produção musical e já era barbudo, fui perguntado por um técnico de som: 'Por que você não vira Papai Noel?'. Aí comecei, junto com algumas pessoas, a fazer voluntariado em escolas. Comecei de forma inexperiente, mas aos poucos fui me profissionalizando”, conta.

Ao longo desses 10 anos, Romildo já trabalhou em diversos lugares, incluindo um período como Papai Noel do Shopping Água Verde. “Fiquei três anos no Shopping Água Verde, mas como eu tinha a minha vida e o meu trabalho fora, isso me tomava muito tempo. Acabei deixando o shopping, que me deu uma vitrine gigantesca. Porque as pessoas que eu conheço hoje, a maioria vem de lá”, diz.

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Atualmente, Romildo divide sua vida entre as atuações como Papai Noel, jardineiro e paisagista. “Eu sou jardineiro e paisagista, paisagista não de formação, mas sim de atuação. Realizo trabalhos com paisagismo e também em manutenção predial. Essa é minha principal renda durante boa parte do ano”.

Segundo Romildo, as demandas começam a surgir em agosto, quando os primeiros clientes o procuram. Nessa hora, ele aciona seus principais clientes para garantir que aqueles que ele sempre atende não fiquem sem seu Papai Noel.

Esse é o caso de Wagner Aparecido Rosa, que sempre marca a data da aparição do Papai Noel na escola onde trabalha como diretor, com um ano de antecedência. “Então, geralmente fechamos oficialmente no meio do ano. Ele é o Papai Noel da escola há três anos, então é nosso Papai Noel oficial. Na verdade, combinamos a visita do próximo ano quando ele está na escola, mas oficializamos o contrato no meio do ano”, diz.

Atualmente, Romildo presta seus serviços a pelo menos 20 famílias, empresas e instituições de ensino por ano. O bom velhinho ainda atua em seis iniciativas voluntárias. Apesar dos contratos serem fechados e as datas agendadas no meio do ano, é em novembro que a preparação começa. Para manter a magia do Natal e a boa aparência, Romildo gasta mais da metade do que ganha em melhorias nas suas roupas ou na aquisição de novos adereços. Para ele, todos os investimentos são válidos para manter a tradição do Papai Noel.

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“Quando chega novembro, dou uma última olhada na roupa, vejo se algum reparo precisa ser feito, faço a higienização e também a descoloração da minha barba para deixá-la bem branquinha. Duas pessoas me ajudam com isso: uma que faz a barba e outra que auxilia e faz reparos nas minhas roupas”, conta.

Com a preparação feita, é hora de dar vida ao Papai Noel. Segundo Romildo, ele começa a se apresentar na última semana de novembro, fazendo fotos, vídeos e confraternizações em alguns lugares. Mas é no dia 24 que as demandas aumentam. “No dia 24, atendo cerca de seis ou sete famílias fixas que me chamam todo ano. Ainda há algumas demandas no dia 25, mas eu mesmo só vou cear e ficar com minha família depois das 2h da manhã da véspera de Natal”.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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