Neste domingo (31), em Curitiba, acontece o “Brincar no Mon”, evento que reúne crianças de todas as idades para brincar ao lar livre, com atividades conduzidas por coletivos, arte-educadores e recreadores. A iniciativa integra a Semana Estadual do Brincar e é organizada pelo mandato do deputado estadual Goura (PDT).
“Dia 28 de maio é o Dia Mundial do Brincar, e o Paraná foi o primeiro Estado do Brasil a transformar isso em lei, por iniciativa do nosso mandato”, destacou o parlamentar, que é autor da Lei 21.902/2024, que instituiu a semana.
As brincadeiras são essenciais para o desenvolvimento intelectual e motoro das crianças, conforme explica Monik Kamaroski, especialista em Psicomotricidade e Desenvolvimento Humano do Espaço PertenSER, em Curitiba, as brincadeiras têm papel fundamental para a motricidade infantil. “Brincar é importante porque através deste brincar que a criança vai explorar o próprio corpo, aprender sobre espaço e movimento. Então quando ela está correndo, subindo, descendo de uma árvore, mexendo em algum objeto, ela está desenvolvendo a capacidade motora. Esta parte de desenvolvimento não acontece apenas quando estamos direcionando alguma atividade física, mas sim na infância”, diz.
De acordo com Kamaroski, quando a criança brinca naturalmente, aprende sobre força, coordenação, equilíbrio, lateralidade, organização espacial e temporal. Outra vantagem é desenvolver habilidade sociais. “Enquanto a criança está brincando ela tem que aprender a lidar com frustrações (...) criar estratégias, resolver problemas e conviver com outras pessoas. Através disso ela está expressando emoções”, destaca.
O desafio das telas
Apesar de todos os benefícios que as brincadeiras livres proporcionam, um dos desafios enfrentados por mães, pais e responsáveis por crianças são as telas. Segundo Fabiana Kadota Pereira, pedagoga e especialista em criatividade na educação, o excesso de telas prejudica o desenvolvimento motor, mas também a convivência entre as famílias.
“Grande parte de a criança estar muito tempo em tela é por falta de estímulo, no sentido de tirar ela do quarto, oferecer outras opções. A falta de tempo dos pais impede as impede de interagir com outras crianças porque muitas vezes os pais estão cansados, vêm de uma rotina pesada e a tela é uma maneira de você ter o controle, olhar aquela criança, mas existe um prejuízo muito grande na convivência e na formação desta criança”.
Pereira explica que a hiperestimulação provocada pelas telas pode causar problemas psicológicos também, como ansiedade, depressão e outros problemas de socialização.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil apontam que 93% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país, o que representa atualmente certa de 25 milhões de crianças e adolescentes. O número é muito grande e desrespeita a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria que prevê contato zero com telas ou videogames para crianças que ainda não têm dois anos; uma hora por dia dos dois aos cinco anos; no máximo duas horas por dia entre seis e dez anos e no máximo três horas por dia entre 11 e 18 anos.
Outro fator que impacta o tempo de tela é a plataformização dos sistemas educacionais. Tanto na rede privada quando na rede pública de ensino no Paraná o uso de tablets e computadores por crianças e adolescentes cresceu.

Na rede estadual do Paraná, por exemplo, a APP-Sindicato indica que existem ao menos 20 aplicativos utilizados por estudantes e docentes. Os professores, por sua vez, relatam que não houve melhora na aprendizagem e mais de 40% dos educadores ouvidos pelo sindicato apontam que houve piora na aprendizagem dos alunos.
Enfrentamento
Quando implantada, a redução da escala de trabalho 6x1 terá impacto na convivência de mães e pais com os filhos, mas até que isso aconteça, é preciso criar hábitos que ampliem a possibilidade de brincadeiras em detrimentos das telas.
“A criança pode usar a tecnologia, mas tem que ter tempo de compensação: ir jogar bola, participar da noite da pizza, fazer atividades manuais com reciclagem, folhas, pedras. Os adultos que optaram ou tiveram filhos precisam entender que é preciso dar atenção para as brincadeiras das crianças. É claro que é difícil organizar um piquenique, ou uma noite do pijama, mas este também é papel dos pais”, diz Fabiana Kadota Pereira.
O Brincar no Mon é uma boa opção para pais e mães que desejam fazer o enfrentamento às telas. No domingo estão previstas atividades gratuitas entre 10h e 16h no gramado do Museu. Veja a programação:
Oficina de mandala com linhas
Nessa divertida oficina, as crianças aprendem a fazer sua própria mandala com linhas, contribuindo para o desenvolvimento da coordenação motora e da paciência na infância.
Idade: 9 a 12
Ateliê sensorial para bebês
Ateliê sensorial de farináceos e massinhas naturais: um convite para que os bebês explorem a curiosidade livremente, com as mãos, bocas e os sentidos, em seu próprio ritmo.
Idade: 0 a 3
Maio Furta-Cor: cuidado é coletivo
Pinturas para colorir e espaço brincante para bebês
Idade: 0 a 12 anos
Brincadeiras de Tabuleiro
Atividades competitivas e colaborativas com jogos de tabuleiro para estimular a criatividade.
Todas as idades
Vivência do Jogo Turma do Recreio
Vivência presencial através de um jogo de RPG sobre as relações que acontecem na turma do recreio. Uma brincadeira voltada à prevenção do bullying e à cultura da paz.
Todas as idades
Show de bolhas de sabão
10h às 12h
Uma brincadeira mágica e divertida que encanta crianças e adultos. Vem dançar em uma chuva de bolhas e aprender a fazer a maior bolha de sabão que você já viu!
Todas as idades
Pedale pelo seu suco
Bikes adaptadas a liquidificadores promovem consciência ambiental e alimentação saudável: alegria e hidratação através da energia do pedal.
Todas as idades
Levar copo retornável
Roda de Capoeira
Aula de movimentação básica da capoeira e musicalidade.
Todas as idades
às 10h30
Oficina de minijardim
Oficina prática de microjardinagem com suportes reciclados. Seleção e combinação de plantas em escala reduzida para refletir sobre meio ambiente e sustentabilidade.
Todas as idades
Caminho dos pinhões
Jogo de perguntas sobre araucárias em que os participantes percorrem uma trilha de pinhões e uma gralha azul confirma as respostas.
Todas as idades
Roda de Conversa “Brincar lá fora: parentalidade, cidade e natureza”
10h às 12h
Espaço de escuta, troca e encontro entre famílias sobre os desafios de criar crianças e adolescentes na vida urbana contemporânea e a importância do brincar ao ar livre.
Todas as idades
Raízes e brincadeiras
Um convite à reconexão com a natureza por meio de jogos e brincadeiras tradicionais reinventadas com elementos naturais.
4 a 8
Texturas da Floresta: criando e compondo com elementos naturais
A proposta é explorar texturas, formas e aromas por meio da técnica de frottage, que permite registrar no papel as marcas e desenhos únicos encontrados no ambiente ao nosso redor.
Todas as idades
Direito das crianças à cidade
Oficina de desenho e painel lambe-lambe sobre o tema “como você brinca na cidade”?
Todas as idades
Oficina de slackline
Vivência lúdica em ambiente seguro e acolhedor que promove equilíbrio, coordenação motora, concentração e confiança através da prática do slackline.
Todas as idades
Pequenos perfumistas
Venha explorar os aromas da natureza através da maceração de ervas, flores, frutos e outros elementos. Uma oficina lúdica para estimular os sentidos e a experimentação olfativa com a criação coletiva de um perfume.
A partir de 3 anos
SERVIÇO
Evento: 6ª edição do Brincar no MON
Local: Salão de eventos do Museu Oscar Niemeyer – Rua Mal. Hermes, 999, Centro Cívico.
Data: 31 de maio de 2026.
Horário: 10h às 16h.
Entrada: Gratuita.
