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Promessa de Pimentel para 100% das escolas, "Curitibinhas Poliglotas" começa 2025 sem aulas

Projeto da Secretaria da Educação prevê contratação de “instrutores”, com certificação de MEI, no lugar de professores concursados

Promessa de Pimentel para 100% das escolas, "Curitibinhas Poliglotas" começa 2025 sem aulas
Implantado em 2019, programa garantia aulas de cinco idiomas para 15,4 mil estudantes (Foto: Luiz Costa/SMCS)
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O programa Curitibinhas Poliglotas, que ofertava aulas de línguas estrangeiras para alunos da rede municipal de ensino, ainda não voltou a ocorrer em 2025. Embora na campanha de 2024, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) tenha se comprometido a levar o projeto para todas as escolas municipais, o primeiro ano do mandato começou sem que haja sequer previsão de retomada do que já existia na gestão anterior.

Por outro lado, a Secretaria Municipal da Educação incluiu aulas de idiomas no programa Educação Permanente, que prevê a contratação de "instrutores" com certificação de MEI (Microempreendedor Individual) em substituição a professores.

O Curitibinhas Poliglotas foi implantado no segundo semestre de 2019, na gestão de Rafael Greca (PSD). As aulas eram dadas no horário extracurricular, por professores da rede municipal, que eram submetidos a uma prova no idioma escolhido. Segundo a prefeitura, em dezembro do ano passado eram atendidos 14,5 mil estudantes do quarto e quinto anos do Ensino Fundamental com aulas de inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e japonês.

Em 2020, a gerente de Currículo da Secretaria, Luciana Zaidan, disse que o objetivo era levar o programa para as 185 unidades da rede municipal, nas dez regionais, segundo matéria publicada no site da prefeitura. Não houve nenhum balanço recente sobre a adesão ao programa. 

A promessa foi assumida por Eduardo Pimentel na campanha eleitoral do ano passado. O programa de governo apresentado pelo então candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) previa “100% das unidades com Curitibinhas Poliglotas". 

Trecho do plano apresentado por Eduardo Pimentel ao TSE (Reprodução)

Nos anos anteriores, as aulas começavam em março. Com a indefinição neste ano, pais de alunos têm ligado para a Secretaria de Educação para questionar sobre o início das aulas, segundo funcionários da Secretaria, mas não têm obtido resposta. Questionada pelo Plural, a Secretaria de Educação informou apenas que muitos projetos ainda estão sendo avaliados. 

Terceirização

A tendência é que o Curitibinhas Poliglotas não seja retomado, pois a Secretaria da Educação incluiu o ensino de idiomas no programa Educação Permanente, que possibilita a contratação de instrutores e veda a participação de servidores municipais. Publicado no Diário Oficial do Município da última segunda-feira (dia 7 de abril), o edital do programa prevê contratações para aulas de artes marciais, artesanato, capoeira, dança, idiomas, informática, mecânica básica industrial, música, pilates e teatro.

Servidores municipais ficam impedidos de aderir ao programa. 

Trecho do edital do programa Educação Permanente (Reprodução)

As contratações serão feitas pelas Associações de Pais, Professores e Funcionários (APPFs) das escolas, com duração máxima de um ano e sem vínculo empregatício. Além de comprovarem proficiência nos temas, os candidatos deverão se cadastrar por meio de pessoa jurídica, com comprovação de alvará ou MEI.

No fim do ano passado, os professores que participavam do Curitibinhas Poliglotas ganhavam cerca de R$ 90 por aula (o valor incluía o planejamento). Com duas aulas por semana, era possível aumentar o vencimento em aproximadamente R$ 720 (valor que não contava para fins previdenciários).

Em dezembro do ano passado, 24 professores que participavam do Curitibinhas Poliglotas fizeram um intercâmbio em Riga, na Letônia. O intercâmbio foi realizado por meio de parceria com o governo municipal de Riga, segundo a prefeitura de Curitiba "para compartilhamento de experiências pedagógicas com foco no ensino e aprendizado de uma segunda língua, acesso a metodologias de ensino, materiais didáticos e técnicas pedagógicas que são eficazes no contexto do país anfitrião para o ensino da segunda língua, além de avaliações e discussões sobre métodos de ensino e eficácia na aprendizagem de línguas estrangeiras".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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