A professora universitária Juliana Costa registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil nesta quarta-feira (21), no qual afirma ter sido agredida por uma servidora da Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, no bairro Rebouças, em Curitiba. A agressão ocorreu, segundo a denunciante, porque o atendimento prioritário da filha autista não foi respeitado. A prefeitura nega.
Juliana e a filha foram até a Unidade para receberem vacinas. Ao Plural, a professora explicou que pediu uma senha de prioridade, o que foi negado porque a criança não estava agitada. A professora insistiu e tentou ler o nome da servidora no crachá.
“Quando eu fui pegar o crachá dela para ver o nome, ela me deu um tapa na cara e me arranhou. É um absurdo! A mulher puxou meu cabelo, não quis me dar prioridade. Eu perguntei para ela: quem é você para determinar se a minha filha tem prioridade ou não? E ela não acatou”, criticou a professora.
Mãe e filha saíram da Unidade de Saúde sem se vacinar e seguiram direto para a delegacia. O boletim de ocorrência ao qual o Plural teve acesso trata o caso como lesão corporal.
A vítima passará por exames junto ao Instituto Médico Legal, que deve enviar um laudo à Polícia Civil (PC) para prosseguimento das investigações.
Prioridade
Desde 2023 a Lei 14.626 estende o atendimento prioritário a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Todavia, a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba explicou que as Unidades de Saúde não trabalham com senhas preferencias. “O atendimento nas Unidades de Saúde segue o critério clínico, priorizando os casos mais críticos e urgentes. As pessoas que buscam por vacinas são atendidas por ordem de chegada”, informou a pasta por meio de nota.
A prefeitura mencionou ainda que lamenta o fato, mas negou que a servidora tenha agredido a professora. “Ao contrário do que relatou em boletim de ocorrência, a usuária foi quem agrediu a profissional de saúde depois de ter sido informada que não seria possível priorizar seu atendimento, tendo em vista que pacientes idosos, com mais de 80 anos, e outras pessoas com necessidades especiais aguardavam pela imunização”.

Segundo a Secretaria, a Unidade da Ouvidor Pardinho recebe um número elevado de pessoas com deficiência e comorbidades e organiza os fluxos “de maneira humanizada e acolhedora”.
A reportagem questionou sobre a permanência da servidora envolvida no caso no atendimento ao público, mas não obteve resposta. Sobre as investigações da PC, a prefeitura disse que a direção da Unidade vai prestar esclarecimentos às autoridades se for acionada.
Leia a íntegra da nota da Secretaria de Saúde:
A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba lamenta o ocorrido na recepção do setor de imunização da Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho. Ao contrário do que relatou em boletim de ocorrência, a usuária foi quem agrediu a profissional de saúde depois de ter sido informada que não seria possível priorizar seu atendimento, tendo em vista que pacientes idosos, com mais de 80 anos, e outras pessoas com necessidades especiais aguardavam pela imunização.
A usuária solicitou prioridade por apresentar comorbidades e por estar acompanhada da filha autista, no entanto, foi informada que as Unidades de Saúde não trabalham com senhas preferenciais.
O atendimento nas Unidades de Saúde segue o critério clínico, priorizando os casos mais críticos e urgentes. As pessoas que buscam por vacinas são atendidas por ordem de chegada. Em alguns horários, pode haver um maior número de pessoas aguardando o atendimento e a equipe de saúde estabelece a prioridade de acordo com a situação clínica de cada pessoa.

A usuária não aceitou a orientação e passou a agredir a profissional, precisando ser contida por outras pessoas que estavam no setor. Quando foi informada que a guarda municipal havia sido acionada, deixou a unidade e registrou o boletim de ocorrência.
A Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho atende um grande número de pessoas idosas, com deficiência e comorbidades e preza pela qualidade de atendimento de todos que buscam assistência, organizando seus fluxos de maneira humanizada e acolhedora.
A direção da unidade está à disposição das autoridades para prestar depoimento caso seja acionada, assim como usuários que acompanharam a situação se prontificaram em relatar os fatos ocorridos.