Depois de se ver encurralada por protestos, a Prefeitura de Curitiba finalmente aceitou abrir uma conversa com a população sobre o projeto de mudança da Avenida Arthur Bernardes. O projeto, que prevê o corte e a remoção de centenas de árvores sadias, se tornou um problema depois que a comunidade dos bairros afetados criou um movimento que veio ganhando proporção nos últimos meses.
O projeto, desenhado para dar mais velocidade à linha de ônibus Inter 2, a mais movimentada da cidade, prevê a destruição de grande área de vegetação, incluindo araucárias, para que se construa um miniterminal de ônibus no Santa Quitéria. A obra seria realizada em frente ao Atacadão, na esquina com a Rua Irati.
A reunião entre a Prefeitura e os representantes do S.O.S. Arthur Bernardes não teve qualquer transparência. Ocorreu a portas fechadas, e a Prefeitura em nenhum momento, até agora, se abriu para ouvir a população em geral sobre o projeto. Na audiência pública sobre o tema, marcada pela Câmara Municipal, nenhum representante da gestão Rafael Greca (PSD) e Eduardo Pimentel (PSD) compareceu.
O trecho que já está em obras, entre as ruas Francisco Klemtz e Tamoios, deve seguir adiante, e segundo a Prefeitura, nenhuma árvore será cortada nesta área. “É importante ressaltar que, nesse trecho que está em obra, não há corte de árvores. Então, é um compromisso nosso com o movimento de que, enquanto estamos esclarecendo todas as dúvidas deles e buscando entendimento, não haverá corte de árvores”, disse o secretário do governo municipal, Luiz Fernando Jamur.
A reunião terminou sem muitas resoluções, mas com a promessa da prefeitura de que todas as dúvidas sobre o projeto serão sanadas antes do corte de qualquer árvore na região. A promessa é de que o trecho que envolve o corte de mais de 600 árvores seja iniciado apenas em janeiro do próximo ano. Segundo o secretário, até lá o projeto será reavaliado junto à população. “Nós podemos, e acho que quem viu a apresentação percebeu que a intervenção com corte de árvores é muito cirúrgica e só será feita onde realmente precisamos respeitar os limites para fazer a faixa exclusiva para o ônibus elétrico. Nossas equipes têm analisado constantemente onde podemos adotar medidas alternativas sem perder o objetivo do projeto, que é ter a faixa exclusiva para o Inter 2”, completou Jamur.
O movimento S.O.S. Arthur Bernardes, que questiona não só o corte das árvores, mas a impermeabilização do solo e a legalidade das obras, comemorou o início do diálogo com a Prefeitura. “Estamos satisfeitos no sentido de que fomos ouvidos, sim, mas por outro lado em nenhum momento foi nos dito que a obra será suspensa. A gente vai ter uma reunião do movimento para entender como é que a gente segue, mas a partir do momento que não houve promessa de suspensão da obra, não há promessa de suspensão de manifestação”, disse ao Plural Verônica Rodrigues, uma das integrantes do movimento S.O.S. Arthur Bernardes.
Como outras reuniões e audiências devem ser realizadas, mas ainda não existe uma previsão de quando, o movimento deve continuar a pressionar a paralisação das obras pela via jurídica. “A nossa manifestação é justamente para fazer uma pressão para que a justiça acelere o processo. A gente sabe que o MP está agindo, estamos muito satisfeitos, né? A gente entende as demoras, mas, infelizmente, tivemos uma suspensão da liminar. Acho que a única coisa que pode nos salvar, digamos assim, é a justiça, né? E que a justiça seja feita", completou Rodrigues.
Ao final da reunião, ficou claro que ambas as partes estão dispostas a continuar o diálogo que foi iniciado nesta quarta. A prefeitura reafirmou seu compromisso de manter um canal aberto de comunicação com os moradores e de seguir os trâmites legais antes de qualquer avanço significativo nas obras do Inter 2.