A Prefeitura de Curitiba deixou de informar à Câmara Municipal de Curitiba o valor real a ser desembolsado pelo município para poder usar a marca e os personagens da Disney em ação no Parque Barigui. A omissão aconteceu dias após o Instituto Municipal de Turismo (IMT) abrir um processo de Inexigibilidade de Licitação para contratar a Air Marketing e Entretenimento Ltda (AirPromo,) por R$ 4,2 milhões para ser cidade-sede do "Disney Celebra: um Natal Inesquecível".
No dia 6 de agosto, ou seja, oito dias após abrir o processo de Inexigibilidade, o presidente do IMT, Rodrigo Dalla Bona Swinka, respondeu à vereadora Camilla Gonda (PSB), que o evento era uma "parceria estratégica" e que a Prefeitura "contribui com uma parcela simbólica do investimento total" sem citar valores. Gonda havia questionado o valor a ser pago pelo evento e se haveria pagamento à Disney ou a produtora.
"O fato de a Prefeitura já deter as informações e não as ter compartilhado está distante do que se espera de uma gestão transparente", disse Gonda ao Plural. A parlamentar também afirmou que esta não é a primeira vez que a administração municipal dá respostas vagas às solicitações de informação que são muitas vezes resultado de denúncias e questionamentos de moradores da cidade. "Muitas perguntas não são respondidas", alerta.
O valor "simbólico" ao qual se refere Swinka na informação prestada a vereadora, representa 22% do total de R$ 18 milhões previstos no orçamento do projeto. Desse total, a AirPromo pode captar até R$ 14 milhões (já captou R$ 9 milhões) através de renúncia fiscal via Lei Rouanet.

Os pedidos de informação da Câmara Municipal ao Município são parte da função de fiscalização do legislativo. Porém é improvável que a Casa reaja à omissão de informações no caso do Natal da Disney, uma vez que o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) tem 31 dos 38 parlamentares dessa legislatura.
Nas redes sociais do Plural, a notícia foi recebida com ataques pela base do prefeito. O vereador Olímpio Araújo Júnior (PL) chamou o Plural de "fake news e desinformação" e tentou promover a informação inverídica de que os dados citados pela reportagem não contava com os patrocinadores (que apoiaram o evento com recursos de renúncia fiscal, ou seja, vão poder descontar dos impostos devidos os valores investidos).