A Prefeitura de Curitiba anunciou que começaram nesta semana as obras para implantação de uma nova estrutura da Guarda Municipal no Centro. O módulo ocupará o prédio onde funcionava o restaurante popular Mesa Solidária Luz dos Pinhais, na Rua Barão do Serro Azul, 81, próximo à Praça Tiradentes.
Segundo a prefeitura, o Mesa Solidária já foi transferido para a Alameda Dr. Muricy, 71, também no Centro, a cerca de 900 metros do endereço original. Além da mudança de local, o programa deixou de se chamar Mesa Solidária e passou a integrar o programa BASE – Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) afirmou que o objetivo da mudança é aumentar a segurança no Centro e oferecer alternativas às pessoas em situação de rua. “Criamos o BASE: bem-estar, apoio, solidariedade e, o mais importante, emprego”, disse.

Na mesma publicação, Pimentel destacou que ações como encaminhamento ao Sine para busca de vagas, cadastro no programa Tarifa Zero – A Caminho do Emprego e apoio de equipes de saúde para atendimento a dependentes químicos, incluindo a possibilidade de internação involuntária, também serão realizadas no âmbito do BASE.
A mudança foi comemorada por moradores e comerciantes da região, que se queixavam ao poder público das filas e pediam mais organização no atendimento e segurança na área. No entanto, movimentos sociais que prestam serviços a pessoas em situação de rua questionam a forma como a alteração foi comunicada à população que utilizava o restaurante.
Segundo Vanessa Lima, mestre em políticas públicas e presidente do Mãos Invisíveis, a população que frequentava o local não foi previamente avisada sobre a mudança de endereço. “Ninguém foi avisado, não houve distribuição de folders ou folhetos, nem comunicação direta no espaço”.
Para Vanessa, a prefeitura de Curitiba adotou a medida sem a participação de órgãos e entidades que atuam e conhecem a realidade da população em situação de rua. “A prefeitura diz que não adianta criticar sem apresentar soluções, mas nosso movimento — assim como outros coletivos, pesquisadores e ONGs da área — vem tentando propor projetos e alternativas. Já citamos inclusive experiências que deram resultados em outros locais do mundo, mas constantemente somos ignorados.”
O Plural procurou a prefeitura para verificar se a população que frequentava o local foi avisada sobre a alteração e informada sobre o novo endereço do Mesa Solidária, além de questionar quais critérios foram adotados para a escolha do novo espaço de atendimento. Até o momento desta publicação, não houve resposta. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações da prefeitura.
