No dia 7 de dezembro, a instrutora de cabeleireiro Lúcia de Oliveira Ribeiro, de 65 anos, embarcou em Curitiba com destino a Brasília, após ter concluído um tratamento médico na capital do Paraná. Durante sua estadia na cidade, tudo correu bem, mas a viagem de volta para casa, que normalmente dura pouco mais de 20 horas, acabou se transformando em uma jornada de 40 horas. Esse atraso foi causado por problemas mecânicos em mais de um ônibus oferecido pela empresa Real Expresso do Grupo Guanabara.
A viagem de volta virou um verdadeiro teste de paciência para Lúcia. Diante de uma sequência de contratempos, o trajeto foi marcado por paradas forçadas para manutenção dos veículos, substituições de ônibus e atrasos significativos. “Para começar, estava marcado para o ônibus sair às 9h, mas ele saiu com mais de uma hora de atraso. Depois de sairmos, fizemos uma primeira parada forçada depois de 1h30 de viagem, antes mesmo de chegar a Ponta Grossa, porque o ônibus estava com algum problema”, conta Lúcia.
Segundo ela, nesta primeira parada forçada, os passageiros ficaram quase quatro horas esperando a chegada de um novo ônibus. Após esse longo atraso, a viagem seguiu até a rodoviária de Marília (SP), onde os passageiros desembarcaram à meia-noite. “Passamos a noite na rodoviária sem nenhuma assistência ou apoio. Até chegamos a conversar com alguns policiais que nos orientaram a fazer reclamações formais e boletins para ver o que poderíamos fazer”, relata.
Por volta das 07h do dia 8, um novo ônibus chegou à rodoviária, mas estava cheio e, segundo a passageira, sem espaço suficiente para acomodar a bagagem de todos. Além da falta de espaço, Lúcia relatou que havia algo errado com o ônibus, já que ele não passava dos 50 km/h. “Notei que o ônibus estava lento e avisei aos outros passageiros. Quando paramos para fazer a manutenção, ouvi um dos motoristas dizer que o ônibus estava sem freio”.
Este ônibus também foi substituído, mas o novo veículo apresentou mais problemas. Segundo Lúcia, o veículo começou a tombar para um lado, obrigando os passageiros a descerem às pressas, sem sequer conseguirem pegar seus pertences. De acordo com a passageira, durante toda a viagem a empresa custeou apenas um café da manhã aos passageiros.
Lúcia relatou ao Plural que esta não é a primeira vez que ela tem problemas em viagens com esta empresa. “Costumo fazer algumas viagens com esta empresa porque faço esse percurso de Curitiba-Brasília com frequência. Já tive problemas antes, mas sempre tentava resolver por outras vias. A empresa faz o ressarcimento, mas pede para você assinar um termo de que não vai entrar com nenhum tipo de ação. Dessa vez, foram tantos riscos nessa viagem que algo precisa ser feito”.
O Plural procurou a empresa Real Expresso, que, em nota, informou que busca resolver todas as reclamações apresentadas formalmente à empresa. “Gostaríamos de informar que estamos comprometidos em realizar todas as tratativas das reclamações recebidas. Assim que tomamos conhecimento de incidentes como o descrito, nossa equipe responsável realiza uma apuração detalhada para entender as circunstâncias e tomar as devidas providências, seja na melhoria dos nossos processos ou nas medidas corretivas necessárias”.
Ainda na nota, a Real Expresso lamentou o ocorrido. “Lamentamos profundamente qualquer inconveniente gerado aos nossos passageiros e reforçamos que nossa prioridade é garantir a segurança e o conforto durante as viagens. Tomamos as reclamações a sério e procuramos resolver qualquer problema da forma mais ágil e eficiente possível”.