Pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos ou que eventualmente usam o serviço de farmácias da rede pública de Curitiba retaram atrasos no fornecimento ou falta de alguns fármacos. O Ministério da Saúde (MS) afirma, no entanto, que não há desabastecimento.
Uma das pessoas ouvidas pelo Plural usa leflunomida (20 mg), que é usado para tratamento de artrite. Este remédio, em específico, tem está em déficit de envio de 61,43%, ou 975,9 mil comprimidos neste primeiro semestre para o Paraná, segundo informou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). O Ministério nega, e menciona que o fornecimento está regular “conforme demanda apresentada”.
Outra questão relatada por usuários se refere às farmácias das Unidades de Pronto Atendimento (UPAS). Recentemente, na unidade do Boqueirão, uma usuária recebeu apenas metade dos remédios prescritos pelo médico após o atendimento. Eram duas caixas de dipirona e o farmacêutico entregou apenas uma. A dinâmica se repete em outras unidades.
A Secretaria Municipal de Saúde explicou que “quanto à distribuição de medicamentos nas UPAs, o recomendado é que o paciente receba somente o suficiente para a situação de urgência, para o início imediato do tratamento. Na sequência, em horário de funcionamento das Unidades de Saúde, o paciente pode retirar o total receitado pelo médico em sua unidade de referência, que fica na região onde mora”.
Ambos os pacientes que relataram os casos ao Plural preferiram manter o anonimato, mas dizem que a situação acontece com frequência. Dados do movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC) apontam que foram reportadas mais de 1,2 mil situações semelhantes em todo Brasil, até maio deste ano.
Entre os medicamentos mencionados pelos usuários do Paraná estão Videlizumabe (300 mg) e Alfagalsidase (1 ml) e Ustequinumabe (45 mg). Sobre estes remédios especificamente, o Ministério da Saúde mencionou que o fluxo de entrega está normal, com exceção do Ustequinumabe, que está em fase final de aquisição.
Segundo a Secretaria Municipal, “quanto aos medicamentos de uso contínuo, estão disponíveis nas unidades de atenção primária, onde os usuários fazem o acompanhamento de sua situação de saúde e retiram mensalmente os medicamentos prescritos”.
Paraná
Em âmbito estadual, a Sesa relatou que os medicamentos que são responsabilidade do Paraná estão com a aquisição em dia.
A pasta reformou que o Leflunomida 20 mg, cuja responsabilidade é do Governo Federal, foi solicitado em novembro de 2025. O pedido foi de 705.900 comprimidos para atendimento do primeiro trimestre, mas o recebimento foi de apenas 181.980 comprimidos em 10 de dezembro — remessa referente ao trimestre anterior e já em atraso — e 402.690 comprimidos entre janeiro e fevereiro. São 121.230 comprimidos abaixo da necessidade do período. Para o segundo trimestre de 2026, a Sesa solicitou 882.180 comprimidos. Até o momento, o Paraná recebeu apenas 28.170 unidades.

“A Sesa reitera que mantém monitoramento constante e cobrança junto ao Ministério da Saúde para que o abastecimento seja normalizado o mais breve possível”, explicou, em nota.
Fluxo
No ano passado o Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou que a Assistência Farmacêutica oferecida pelo Governo do Estado precisava melhorar. A auditoria apontou problemas na compra e armazenamento de medicamentos do grupo 2, aqueles destinados a doenças de menor complexidade, oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.
Questionada pela reportagem, a Sesa disse que atendeu “às diretrizes de controle e modernização dos órgãos parceiros”. E que “a estrutura estadual, que engloba o Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) e as centrais das 22 Regionais de Saúde, conta com profissionais farmacêuticos e passa por ciclos contínuos de melhorias em conformidade com a RDC 430/2020 da Anvisa”.
Outro ponto crítico apontado pela auditoria do TCE foi sobre a refrigeração. Para este ponto, o Governo do Paraná informou que 130 câmaras científicas e três câmaras frias foram adquiridas nos últimos quatro anos, com investimentos de R$ 3,6 milhões.
O TCE também apontou problemas na gestão de compras, que, segundo a Sesa, teve processos aprimorados “ via Plano de Contratação Anual, com metodologias aprovadas pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), além do aperfeiçoamento constante dos sistemas de informação estratégica junto à Celepar”.
