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Movimento de mulheres ocupa futura residência de estudantes indígenas da UFPR

Imóvel no bairro São Francisco foi cedido em dezembro pelo governo do estado. Espaço seria inaugurado em julho

Movimento de mulheres ocupa futura residência de estudantes indígenas da UFPR
Casa que abrigará a casa do estudante indígena da UFPR, no bairro São Francisco. Foto: Google Maps/Reprodução
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Integrantes do Movimento Olga Benário, ligado ao partido Unidade Popular (UP), ocuparam na última quinta-feira (1º de maio) o imóvel cedido pelo governo do Paraná para a Universidade Federal do Paraná (UFPR) instalar uma residência para estudantes indígenas em Curitiba. A UFPR está buscando uma saída negociada para o impasse.

O imóvel, na Rua João Manoel, 140, no bairro São Francisco, foi cedido pelo governo do Paraná em dezembro do ano passado. A reforma ficou a cargo da UFPR, que pretende inaugurar o espaço em julho deste ano. Em maio do ano passado, indígenas ocuparam o prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) para reivindicar políticas de permanência de estudantes da universidade, o que incluiria a oferta de um local de moradia.

Em janeiro, a UFPR fez vistorias no local e produziu relatórios sobre as condições do imóvel. Foram identificados sinais de invasão, pessoas em situação de rua no local e furto de materiais utilizados em acabamentos. O relatório indicou que o prédio, que fica ao lado da sede da União Paranaense dos Estudantes (UPE), precisaria de uma reforma completa. 

O espaço começou a ser limpo em fevereiro, com corte de grama e retirada de entulhos. Em março, a UFPR assinou um contrato para iniciar os serviços de manutenção do imóvel. Foram instalados vasos sanitários e pias e a parte hidráulica foi reformada. No dia 1º de abril, houve uma discussão para a criação de uma comissão, que definiria os processos seletivos e regimentos da moradia.

Obras começaram em março (Fotos: UFPR/Divulgação)

No quinta-feira passada, integrantes do Movimento Olga Benário ocuparam o espaço para pressionar o poder público a criar uma casa de referência para mulheres em situação de rua. A ocupação passou a abrigar a Casa Rose Nunes Vive – que ano passado funcionou em uma ocupação na Rua Treze de Maio, no centro da cidade. O nome é uma homenagem à militante do MST Rose Nunes, morta em 1987 após ser atropelada por um caminhão de uma empresa agrícola, durante uma manifestação de agricultores no Rio Grande do Sul.

Segundo a UFPR, as integrantes do Movimento Olga Benário informaram na sexta-feira (2) que não sabiam qual seria a destinação do imóvel. A vice-reitora da universidade, Camila Fachin, disse que a instituição não tem autonomia para abrigar movimentos sociais. “Não nos compete promover políticas próprias dos poderes executivos. Somos solidários à causa, podemos pedir agendas com o Ministério Público e secretarias estaduais, mas legalmente fazemos políticas educacionais”, afirmou Camila Fachin.

O Coletivo dos Estudantes Indígenas da UFPR (Ceind) repudiou a postura do Movimento Olga Benário. “Não abriremos mão da nossa casa. A Maloca UFPR é fruto de uma luta legítima e coletiva, que representa não apenas uma conquista material, mas também simbólica para os povos indígenas dentro da universidade”, afirmou o coletivo em seu perfil oficial. “Repudiamos a postura do Movimento Olga Benário, que afirmou desconhecer nossa luta e, com isso, reforça o apagamento histórico das pautas indígenas, repetindo um processo de invisibilização que ocorre desde a colonização do Brasil”.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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