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Motorista de app de carona é acusado de assediar, agredir e importunar mulheres

Seis boletins de ocorrência foram registrados junto à Polícia Civil, que investiga o caso

Motorista de app de carona é acusado de assediar, agredir e importunar mulheres
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Em junho deste ano uma jovem moradora de Curitiba precisou ir até Paranaguá, no litoral do Estado, para visitar a mãe, que estava adoentada. Para facilitar o deslocamento ela usou um aplicativo de caronas, mas a viagem se tornou um martírio quando o motorista, identificado como Edson David, agiu de forma agressiva e mudou o valor da corrida. Depois disso, a vítima registrou um boletim de ocorrência e descobriu que havia ao menos cem outras mulheres que passaram maus bocados em caronas com o acusado.

O caso ganhou repercussão nas últimas semanas depois que a influenciadora digital Eluanna Gaspari, que tem mais de 24 mil seguidores no Instagram, compartilhou uma série de stories contando que ela teve problemas com o mesmo motorista.

Em 12 de agosto ela relatou que teve problemas em uma carona com o suspeito. Ela foi destratada pelo motorista e depois de revelar a história nas redes sociais virou alvo de ameaças.

Edson David chegou a registrar um boletim de ocorrência contra a influenciadora, que é acusada de difamação, embora tenha compartilhado relatos de mais mulheres que afirmam ter sido vítimas do homem. O Plural não conseguiu localizá-lo e tampouco sua defesa para comentar o caso até o fechamento deste texto, que será atualizado assim que isso ocorrer.

Cem mulheres no WhatsApp

Depois da notoriedade no caso da influenciadora, a vítima de Paranaguá tomou coragem e registrou um boletim de ocorrência. Ela e outras cinco mulheres que sofreram assédio, ameaças e foram humilhadas pelo acusado são representadas pelo advogado Jackson Bahls.

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Ao Plural, ele explicou que as clientes registraram seis boletins de ocorrência contra o motorista, inclusive por importunação sexual. O modus operandi do motorista seria agir com hostilidade e no fim da corrida alterar o valor para além do combinado no aplicativo.

“Uma das vítimas disse que não tinha mais dinheiro e ele propôs que ela pagasse com sexo. Claro, ela recusou, mas veja o desprezo que ele tem pelas mulheres”, contou o advogado.

Com a vítima de Paranaguá aconteceu justamente isso. Ela saiu de Curitiba com destino ao litoral e não sabia que havia mais uma passageira no trajeto, que foi alterado pelo condutor. “Minha família tem a minha localização e meu irmão viu que a gente estava seguindo no sentido de Campo Largo e me alertou. Quando eu perguntei, ele disse que tinha outra pessoa. Eu reclamei que precisava ter sido avisada e ele começou a agir de forma agressiva”, relembra.

Antes de chegar ao destino final, ele parou o carro, trancou as portas e cobrou dinheiro a mais tanto da mulher que saiu de Curitiba quando da que saiu de Campo Largo. Ele só destravou as portas do carro quando conferiu o pix, conforme relatou uma das vítimas.

Assim como essas três mulheres, ao menos outras cem relatam ter tido problemas com o motorista. Elas criaram um grupo de WhatsApp onde compartilham informações sobre o suspeito e tentam se proteger.

De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado. “Qualquer mulher que tenha sido vítima ou se sinta ameaçada pode registrar o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima para que nós possamos continuar as investigações, dando o devido encaminhamento aos procedimentos”, explicou o delegado responsável pelo caso, Wesley Moreira.

O objetivo do advogado que representa as vítimas é de que as investigações culminem em um pedido de prisão contra o acusado, que usa diversos nomes nas plataformas de carona. A plataforma utilizada pelas vítimas atendidas por Bahls é a BlaBlaCar, que conecta motoristas a passageiros que precisam fazer viagens intermunicipais ou até mesmo interestaduais.

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De acordo com as vítimas, antes de mudar o valor da corrida – quando ela já está terminando – Edson David cancela a chamada no aplicativo, o que dificulta o suporte e as impede de fazer uma reclamação específica sobre o atendimento.

Procurada pela reportagem, a BlaBlaCar considerou a situação como “inaceitável” e afirmou que “reforça a importância de combater e denunciar casos dessa natureza”.

Atualmente, segundo a empresa não há nenhum perfil ativo do acusado na plataforma. O texto enviado pela assessoria de imprensa diz ainda que a empresa trabalha “constantemente para oferecer um ambiente de viagem seguro e confiável para toda a nossa comunidade no Brasil e reforçamos a orientação de que todas as interações entre os membros só podem ser feitas dentro da nossa plataforma, desde o contato inicial entre condutor e passageiro.”

Cadastro

Ao Plural a BlaBlaCar explicou que “o cadastro dos membros na plataforma é único e serve tanto para quem oferece caronas quanto para quem pretende viajar como passageiro de carona ou de ônibus. Para isso, é necessário acessar o site ou aplicativo da BlaBlaCar, fornecer um e-mail ou se conectar com a conta do Facebook e, então, informar dados como nome completo e data de nascimento, além de escolher uma senha”.

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Isso é parcialmente verdade. Se o usuário se cadastrar com e-mail diferente, consegue manter várias contas com vários nomes diferentes ativos. A checagem de documentos só é feita quando o motorista tem o selo de perfil verificado – o que não é obrigatório.

Além disso, a empresa afirmou que “se coloca à disposição das autoridades para contribuir com eventuais investigações”, o que aponta que a Polícia Civil ainda não entrou em contato com representantes legais para apurar dados cadastrais do acusado.

Segurança

Segundo a plataforma, as viagens realizadas fora do aplicativo não configuram um atendimento pela BlaBlaCar e “não dispõem das ferramentas de tecnologia e processos de segurança oferecidos pela plataforma”.

Ademais, usuárias e usuários devem conferir se as informações do membro são as mesmas que estão no app no momento do embarque e, conforme a Bla Bla Car, caso alguma informação não esteja correta, o usuário deve cancelar a viagem e reportar o ocorrido no aplicativo.

Passageiras mulheres podem usar a ferramenta “Só para elas”, que permite que mulheres escolham viajar apenas com outras mulheres.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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