Moradores do Parolin, em Curitiba, denunciaram que vêm sendo intimidados pela Polícia Militar desde segunda-feira (12), quando foi realizado um ato pedindo apuração da morte de três jovens na região, no último dia 8. Na manhã desta sexta (16), a PM esteve no local, segundo moradores, para recolher as cápsulas no local onde os jovens foram mortos. Os policiais teriam invadido residências e agredido um jovem.
As mortes de Rafael Bueno, 26 anos; Rafael, 19; e Luiz Fernando, de 16 anos, teriam ocorrido em confrontos, afirmou o tenente que comandou a ação. Uma pistola e uma espingarda teriam sido apreendidas. Moradores e familiares fizeram um ato na tarde de segunda-feira, pedindo investigação do caso.
Segundo o oficial, os três jovens mortos tinham deixado recentemente a prisão e tentavam retomar territórios de tráfico na região. Eles teriam reagido com tiros à abordagem policial. Dois foram baleados por uma equipe da Rone e um por policiais do 12º da Batalhão da PM.

Desde então, segundo moradores, a PM aumentou sua presença na região. Na manhã desta sexta, policiais voltado ao local para recolher cápsulas no local onde os três foram mortos no último dia 8. Os policiais teriam invadido residências, sem mandado judicial, e agredido um jovem.
"Só não mataram porque a população estava aqui, senão tinham matado igual na semana passada”, disse ao Plural uma moradora da região, que pediu para não ter sua identidade revelada. “Estamos cansados de viver oprimidos. A gente não sabe mais o que fazer, porque ao invés de eles fazerem a nossa segurança, eles é que estão oprimindo a população. A população está com medo da polícia”.

Segundo a moradora, a presença da PM aumentou desde a ocorrência do dia 8. “É todo dia e toda noite. Nossos filhos têm 15 ou 16 aos mas não aparentam, são altos. Imagine se uma hora estão vindo de noite do curso e acabam matando. Não tem só bandido aqui, tem pessoas honestas. A gente está vivendo um terror na mão deles”.
"A gente está vivendo oprimido por eles. Eles filmaram a ameaçaram, falando que a gente ia morrer também. Acho que eles querem tirar o deles da reta, depois do que fizeram eles sabem que está arriscado eles perderem o que eles mais amam, que é a farda. Eles sabem que mataram inocentes, senão não estariam aqui desse jeito."
Moradora do Parolin que pediu para não ser identificada

Guerra entre facções
Moradores relataram que mais equipes da PM chegaram ao local no início da tarde desta sexta-feira. Segundo eles, está em curso uma guerra entre duas facções criminosas. Integrantes de um dos grupos teriam fugido para a Vila Fanny, a cerca de 2,5 quilômetros do Parolin.
O Plural entrou em contato com a assessoria de comunicação da PM e fica à disposição para uma eventual manifestação.

Entre os estados mais violentos
Em janeiro, o Ministério Público do Paraná divulgou que as ações das forças de segurança no estado resultaram em 413 mortes no estado no ano passado, crescimento de 20% em relação a 2023. De 2019, primeiro ano do governo de Ratinho Júnior (PSD), até o final do ano passado, 2.371 mortes foram causadas por policiais militares, policiais civis e guardas municipais.
Das cinco maiores cidades do Paraná, quatro tiveram mais mortes em 2024: Cascavel (crescimento de 600% no número de ocorrências), Londrina (68,9%), Curitiba (48,5%) e Ponta Grossa (33%). Em Maringá, o número de casos caiu de 11 para 4 (redução de 63,6%).
Os números colocam o Paraná entre os estados com as maiores letalidades policiais do país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que faz a comparação dos indicadores de violência entre os estados, historicamente o Paraná ocupa o sexto lugar no ranking nacional de maior letalidade. A exceção foi o ano de 2022, quando surpreendentemente o Estado, com 479 mortes, ficou em quinto lugar, superando São Paulo (421). De 2020 a 2023, a média anual de mortes no Paraná foi de 402, mais que o triplo da média do Rio Grande do Sul (133). A média de Santa Catarina é bem inferior (70).