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Moradia em Curitiba: Centro verticaliza enquanto bairros do sul crescem até 700%

Curitiba vive dois movimentos simultâneos: verticalização nos bairros centrais e expansão acelerada no sul. Dados mostram crescimento recorde de domicílios em regiões como Campo de Santana e Tatuquara

Moradia em Curitiba: Centro verticaliza enquanto bairros do sul crescem até 700%
Foto: Marcelo Harassen do Ó / Unsplash

Curitiba atravessou, nas últimas duas décadas, uma transformação profunda em seu perfil de moradia, caracterizada por dois movimentos simultâneos: um intenso adensamento vertical nos bairros centrais e eixos de transporte, e uma expansão horizontal acelerada em direção ao extremo sul da cidade. Entre 2000 e 2022, o estoque total de domicílios cresceu de forma generalizada, mas o ritmo de ociosidade (imóveis não ocupados) também disparou, refletindo mudanças na dinâmica do mercado imobiliário e nas escolhas da população.

O Plural analisou os dados disponíveis de moradias desde 2000 para verificar as mudanças registradas na cidade. As fontes analisadas incluem o Censo de 2000, 2010 e 2022, a pesquisa de aluguel e venda de imóveis do Quinto Andar/Imovelweb.

Enquanto áreas consolidadas como o Centro dobraram sua capacidade habitacional através de apartamentos, bairros como Campo de Santana e Caximba registraram crescimentos superiores a 300%, consolidando-se como novas fronteiras urbanas. Em termos de custo, o mercado de locação em 2025 aponta o Prado Velho como o metro quadrado mais caro da capital, superando redutos tradicionais como o Batel.

Abaixo, apresentamos uma análise detalhada da evolução habitacional por bairro:

Com base nos dados, a quantidade de domicílios particulares permanentes não ocupados (categoria que engloba tanto os domicílios vagos quanto os de uso ocasional) apresentou um crescimento expressivo e generalizado na grande maioria dos bairros de Curitiba entre os anos de 2010 e 2022.

Bairros com Maior Volume de Domicílios Não Ocupados (2010-2022)

Crescimento Acentuado em Bairros Periféricos e de Expansão

Diversos bairros que passaram por processos de ocupação recente viram seus números de domicílios não ocupados disparar:

Outros Exemplos de Evolução

Exceção Notável

O bairro Mossunguê foi um dos raros casos que apresentou redução no número total de domicílios permanentes não ocupados, caindo de 798 em 2010 para 728 em 2022.

Como a verticalização mudou o Centro de Curitiba

A verticalização foi o fator determinante para o expressivo aumento do número de domicílios no bairro Centro, consolidando-o como uma área de alta densidade habitacional. Entre os anos de 2000 e 2022, o total de domicílios na região dobrou, saltando de 15.205 para 30.635 unidades.

A influência da verticalização nesse processo pode ser observada através dos seguintes dados:

Portanto, a verticalização não apenas impulsionou o crescimento quantitativo de domicílios, permitindo que o bairro comportasse mais unidades em uma mesma área territorial, como também transformou quase a totalidade da ocupação residencial do Centro em tipologia de apartamentos. Esse fenômeno contribuiu para o Centro ser uma das regiões mais adensadas da cidade, apesar de também registrar um alto número de domicílios não ocupados (vagos ou de uso ocasional) no mesmo período.

Imóveis próprios x imóveis alugados: confirma como se comporta cada bairro de Curitiba

Com base nos dados dos censos de 2000 e 2010, a relação entre domicílios próprios e alugados nos bairros de Curitiba revela uma predominância de domicílios próprios (somando os já quitados e os em aquisição), embora a proporção de imóveis alugados varie significativamente dependendo da localização do bairro.

Predominância de Domicílios Próprios

Na grande maioria dos bairros, o número de domicílios próprios é consideravelmente superior ao de alugados.

O Cenário Diferenciado do Centro

O Centro apresenta uma das relações mais equilibradas entre moradia própria e aluguel, refletindo seu perfil de alta rotatividade e verticalização.

Domicílios "Em Aquisição" em Áreas de Expansão

Em bairros de ocupação mais recente ou com forte presença de conjuntos habitacionais, a categoria de domicílios "próprios em aquisição" (ainda sendo pagos) é muito relevante:

Crescimento do Mercado de Aluguel

Entre 2000 e 2010, observou-se um crescimento generalizado no número de domicílios alugados em praticamente todos os bairros citados:

Em resumo, enquanto Curitiba é uma cidade majoritariamente de proprietários, as áreas centrais e eixos de adensamento concentram uma fatia muito maior de inquilinos, ao passo que as bordas da cidade concentram uma grande massa de moradores que estão no processo de compra da casa própria (imóveis em aquisição).

Expansão do Tatuquara vem acompanhada de alta nos imóveis vagos

A relação entre o crescimento de novos bairros e a quantidade de domicílios vagos é marcada por um aumento expressivo em ambas as frentes, conforme exemplificado pelo caso do Tatuquara. Como um bairro de expansão recente, o Tatuquara apresentou um dos maiores crescimentos habitacionais de Curitiba, mas também viu sua ociosidade imobiliária subir drasticamente.

Abaixo, detalho essa relação com base nos dados:

Em resumo, a evolução do Tatuquara demonstra que, embora o bairro tenha tido um sucesso massivo em atrair novos moradores e construções, o estoque de domicílios não ocupados (principalmente vagos) cresceu em um ritmo proporcionalmente maior do que o total de domicílios, seguindo a tendência de outras áreas periféricas e de expansão da capital.

Portão troca casas por apartamentos com avanço da verticalização

A verticalização alterou profundamente o perfil do bairro Portão, transformando uma região que possuía um equilíbrio entre casas e edifícios em uma área de predomínio massivo de apartamentos e alta densidade habitacional.

Inversão do Perfil de Moradia

No início do século, o Portão tinha uma distribuição quase igualitária entre os tipos de moradia. Com o passar das décadas, a verticalização tornou-se o motor do crescimento do bairro:

Crescimento Habitacional Acelerado

Impulsionado pela construção de novos edifícios, o Portão consolidou-se como um dos bairros com maior volume de domicílios da cidade:

Aumento da Ociosidade Imobiliária

Acompanhando o ritmo acelerado de novas construções verticais, o número de imóveis não ocupados também subiu de forma considerável:

Dinâmica de Ocupação (Aluguel vs. Próprio)

Embora os dados de 2022 para essa categoria não estejam detalhados, a tendência observada até 2010 mostrava que a verticalização também impulsionava o mercado de locação:

Em resumo, a verticalização fez o Portão deixar de ser um bairro de casas tradicionais para se tornar um dos principais eixos de adensamento vertical de Curitiba, concentrando hoje mais do que o dobro de apartamentos em relação ao número de casas.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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