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Haitiana que mora em Curitiba inicia produção de sabonetes

Gertrusmene Niclasse passou por um ‘perrengue’ para retirar maquinário retido em Paranaguá, mas agora conseguiu iniciar seu negócio

mulher negra sorrindo
Na indústria cosmética, Gertrusmene aposta suas fichas no Brasil | Foto: Tami Taketani/Plural.

Gertrusmene Niclasse mora com o filho e o companheiro em uma ocupação no bairro Tatuquara, em Curitiba. Ela está há cinco anos no Brasil, depois de deixar o Haiti e tentar a vida em vários lugares.

Depois de quase um ano com problemas para retirada de um equipamento para fabricar sabonetes, que ficou retido em Paranaguá por falta de pagamento de impostos, ela conseguiu levar o maquinário para casa.

“Eu não sabia que tinha tanto imposto no Brasil, então demorou para juntar o que precisava para tirar [regularizar a situação]. Mas agradeço todo mundo que me ajudou, o deputado Goura também e agora só falta o gerador”, explicou ao Plural.

O gerador fornece estabilidade ao maquinário e faltam cerca de R$ 9 mil para o pagamento. No entanto, enquanto junta o que resta, a produção de sabonetes está a todo vapor.

“Eu fiz a mão mesmo. Já fazia no Haiti, então consegui comprar tudo que precisava, agora já tem estoque para vender”, comemora.

Negócio

De acordo com Gertrusmene, quando olhava as embalagens de sabonetes nos locais em Curitiba, nunca via nada que era produzido aqui. “Tudo é de São Paulo”, observa.

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A percepção pode estar equivocada. Dados do Sebrae apontam que o Paraná tem 78.654 empresas de beleza ativas, sendo Curitiba a cidade com o maior número de estabelecimentos. O setor está presente em 100% dos municípios do Estado.

Um exemplo é o grupo O Boticário, que tem fábrica em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e é uma das maiores empresas do Brasil. Por outro lado, a percepção de Gertrusmene é apurada no que tange ao consumo de produtos de beleza, que movimenta milhões de reais por ano.

Para ela, que tem sua pequena indústria em casa mesmo, o público potencial de consumidores (e principalmente consumidoras) são os entornos do Tatuquara. Quem compra os produtos são vizinhas e amigas. "Por enquanto, depois eu quero distribuir para todo Brasil", projeta.

Muitos dos insumos são coletados diretamente na natureza: picão preto, alecrim, babosa. “Aqui no Brasil é muito rico, tem muita coisa boa na natureza, coisas que não são fáceis de achar em qualquer lugar”, diz.

O que não está acessível para coleta, Gertrusmene encontra no Ceasa. A receita é anotada em um caderno e a fórmula aperfeiçoada conforme seguem os testes.

A produção conta com ajuda da vizinha Glaucia Tracz e a empresa já tem CNPJ. O nome da marca, "La Douceur", é uma forma de demonstrar o aconchego do autocuidado, segundo a criadora. "É uma história de amor (risos). Eu estava deitada com meu companheiro e ficamos pensando no nome, e então chegamos a este, que é doçura, é algo suave, de se cuidar, se sentir a pele cuidada", conta.

Além dos sabonetes, Gertrusmene também tem cremes e óleos para pele e cabelo. Os produtos são vendidos online, por meio do site (clique aqui). A entrega é para Curitiba e região metropolitana.

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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