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Fábrica de mosquitos não é responsável por infestação de insetos em Curitiba

Moradores de Curitiba se queixam de infestação de mosquitos na cidade. Mas será que a Wolbito do Brasil - “fábrica de mosquitos” de Curitiba é responsável pelo aumento no número desses insetos?

Fábrica de mosquitos não é responsável por infestação de insetos em Curitiba
 Fábrica de mosquitos não é responsável por infestação de insetos em Curitiba | Foto: Agência Senado/Prefeitura de São Paulo
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Nas últimas semanas, moradores de Curitiba passaram a utilizar suas redes sociais para se queixar de uma suposta infestação de mosquitos na cidade. Em vídeos publicados, curitibanos relatam que começaram a notar maior presença desses insetos em suas residências. Com as reclamações, a “fábrica de mosquitos” de Curitiba passou a ser apontada como possível motivo da infestação. Mas será que a Wolbito do Brasil é responsável pelo aumento no número desses insetos? O Plural foi atrás da resposta.

A resposta simples: não. Embora Curitiba tenha, de fato, uma fábrica de mosquitos, o clima é o principal responsável pelo aumento da população. Períodos de calor e chuvas favorecem a proliferação do Aedes aegypti. Além disso, a presença de água parada em recipientes continua sendo o maior fator de risco.

Segundo a própria Wolbito Brasil, atualmente os mosquitos produzidos pela biofábrica não são liberados na cidade. Nos locais onde o método é implementado, as liberações são sempre realizadas de forma controlada, planejada e monitorada, não sendo capazes de gerar aumentos populacionais desordenados.

De acordo com a professora Magda Costa Ribeiro, do Departamento de Patologia Básica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), temperaturas mais elevadas têm contribuído para o aumento da população de mosquitos. “O aumento da densidade populacional dos mosquitos está relacionado com a disponibilidade de criadouros, assim como a temperatura e a umidade adequadas. Há relação direta entre o aumento dos mosquitos e os fatores climáticos recentes, como a observação de temperaturas mais elevadas para a estação”, explica.

A professora acrescenta que outros fatores influenciam a aparição dos mosquitos, como a variação de sua atividade ao longo do dia e alimentação das espécies. “As fêmeas dos mosquitos fazem a alimentação sanguínea e, dentro dessas espécies - Aedes aegypti e o Aedes albopictus, e o Culex spp - , precisam se alimentar de sangue para a maturação dos ovos. Então é natural que as fêmeas procurem locais com grandes populações para se alimentar com maior facilidade e claro, estarão mais ativas em função das temperaturas”.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que, em 2026, foram contabilizados até o momento 519 focos do Aedes aegypti. No mesmo período de 2025, eram 1.688 — uma redução de 69% em relação ao ano anterior. Em relação à dengue, os dados também mostram queda: em 2026 foram registrados 62 casos, contra 999 no mesmo período de 2025.

Em nota, a Wolbito destacou que “antes de qualquer liberação, as comunidades são informadas, envolvidas e convidadas a participar ativamente do processo, garantindo transparência e construção conjunta. O método é complementar às demais estratégias de controle. As ações já conhecidas, como eliminação de água parada e cuidados com o ambiente doméstico, continuam sendo essenciais para o controle dos mosquitos”.

Como prevenir

A principal recomendação para reduzir a quantidade de mosquitos na cidade é eliminar os locais de reprodução. Algumas medidas importantes incluem: Manter caixas d’água bem vedadas; limpar calhas regularmente; descartar corretamente recipientes que acumulam água; usar areia nos pratos de plantas; descartar lixo em sacos bem fechados e em latas com tampa funcional; instalar telas em portas e janelas e utilizar repelentes corporais e inseticidas ambientais.

Além disso, com a chegada do frio mais intenso no segundo semestre de 2026, a tendência é que a população de mosquitos diminua naturalmente.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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