O Departamento de Mudanças Climáticas, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, começou a elencar as principais sugestões dos moradores apresentadas nas três consultas públicas de revisão do Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas (PlanClima). As reuniões, realizadas entre os dias 26 e 28 de junho nos bairros Cajuru, Bairro Novo e CIC, contaram com 145 participantes. Integrantes da Rede Curitiba Climática (RECC) classificaram as audiências como teatrais e publicitárias.
Durante os encontros, moradores, representantes da sociedade civil, lideranças comunitárias e instituições locais levaram suas contribuições à prefeitura. No entanto, movimentos ambientais questionaram a metodologia adotada. “A reunião foi dividida em três fases. Na primeira, a prefeitura falou por mais de 30 minutos sobre as ações desenvolvidas na cidade, um discurso teatral que soava como propaganda. Depois fomos divididos em grupos para debater o tema e indicar prioridades, e no fim cada grupo apresentava sua lista com os motivos e ações pensadas para cada item”, relatou Marcel Vidal Viesser, integrante da RECC que participou da audiência na Rua da Cidadania da CIC.
Entre as principais pautas apresentadas estavam medidas para enfrentar enchentes e alagamentos, requalificação das calçadas com foco em acessibilidade e drenagem, implantação de jardins de chuva, mobilidade urbana sustentável, criação de mecanismos intermodais de transporte e aumento da frota de ônibus nos horários de pico. Também foi destacada a necessidade de combater as ilhas de calor com a implementação de espaços sombreados e áreas de refrescamento.
“Quando tocávamos em assuntos mais delicados, como transporte público, corte de árvores e alagamentos, era possível notar o desconforto dos representantes da prefeitura e até uma tentativa de passar mais rápido por esses tópicos. Não havia impedimento de falar, mas havia pressão para avançar rapidamente”, acrescentou Marcel.
Segundo a prefeitura, “as contribuições levantadas durante as oficinas serão sistematizadas e incorporadas ao processo de revisão do PlanClima Curitiba, fortalecendo a construção de políticas públicas mais resilientes, inclusivas e alinhadas aos desafios climáticos atuais e futuros da cidade”.

Para Marcel, o debate poderia ser mais amplo e levado a outras regionais. “Por um lado, é interessante pensar nos bairros escolhidos, porque eles passam por vulnerabilidades ambientais. Mas, por outro, é preciso ampliar esse debate para demais regionais que enfrentam outras questões, como o Portão, que aparece em pesquisas como a regional menos arborizada de Curitiba.”
Ainda é possível participar da consulta online até o dia 8 de junho e enviar sugestões pela internet para a revisão do PlanClima.
