Neste domingo (17) ocorre um ato em Curitiba alusivo ao pelo Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A manifestação começa 15h20 na praça João Cândido e segue até a praça de Bolso do Ciclista, com encerramento às 19h.
O evento é organizado por movimentos sociais, trabalhadores e pessoas que passaram por comunidades terapêuticas. Haverá discussões sobre saúde mental, dependência química e os impactos que a escala de trabalho 6x1, falta de moradia e lazer impactam a vida das pessoas.
Neste ano, o mote é “Saúde se faz na cidade: redução de danos e cuidado em liberdade”. Os manifestantes também criticam a política de internação involuntária de dependentes químicos adotada pela prefeitura de Curitiba.
Até agora quase 80 pessoas foram internadas contra a sua vontade. Nestes casos de internação compulsória, muitas das pessoas são destinadas às comunidades terapêuticas, geralmente instituições ligadas às Igrejas evangélicas, que recebem aporte público.
Na última semana o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) anunciou abertura de edital no valor de R$ 1 milhão para credenciamento destas comunidades para receber pessoas que têm dependência química.
Segundo a prefeitura, as vagas serão 61 destinadas para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) durante nove meses. Para isso, o município pagará entre R$ 1,8 mil a R$ 2 mil mensais por vaga. O valor é maior que o pago pelos convênios firmados com o governo estadual e o Governo Federal, fixados em R$ 1,7 mil por vaga.

Em março deste ano o governado Ratinho Jr. (PSD) assinou documentos de parceria com oito instituições da regional de Curitiba, abrangendo a capital e municípios da Região Metropolitana com 192 vagas para internamento de pessoas com dependência de álcool ou drogas no valor de R$ 4,2 milhões.
Redução de danos
Tais investimentos, para o movimento de Luta Antimanicomial, prejudicam a “política de saúde”, ou seja, os investimentos deveriam ser feitos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), ao invés de serem destinados para organizações ligadas às Igrejas.
“A redução de danos, construída historicamente pelos povos, segue sendo uma das formas mais eficazes de cuidado, pois atua nas condições concretas das pessoas, produz efeitos no longo prazo e fortalece a autonomia”, diz um documento publicado pelo movimento.
O sub mote do ato será: “‘terapêutica’ não. CT é campo de concentração!”, uma crítica às comunidades terapêuticas. Segundo os organizadores, essas instituições operam à margem da lei, sustentando um modelo baseado na coerção, disciplina e controle, frequentemente legitimado por discursos morais e religiosos.
Programação
A concentração do ato começa 15h20, nas ruínas de São Francisco. Depois, às 16h20 haverá a saída da marcha que segue até o bebedouro no Largo da Ordem às 17h, quando ocorrem as apresentações artísticas da Stultifera Companhia de Teatro e do bloco Batucannabis.
Às 18h, acontece uma homenagem às vítimas da violência manicomial na Praça de Bolso do Ciclista. O encerramento será às 19h, no mesmo local, com a Festa de Lóke.
