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Curitiba critica quem fica nas ruas, mas nem no frio oferece abrigo para todos

Apesar do recorde de acolhimentos, especialistas apontam subnotificação da população em situação de rua e criticam a precariedade da assistência oferecida pela prefeitura

Curitiba critica quem fica nas ruas, mas nem no frio oferece abrigo para todos
Curitiba tem 4,6 mil pessoas em situação de rua. Foto: Tami Taketani/Plural
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O frio e o inverno chegam a Curitiba num momento em que a Prefeitura faz uma campanha contra a permanência de pessoas nas ruas da cidade. No entanto, números do IBGE mostram que o poder público municipal não garante vaga para todas as pessoas que precisam. Se todas as pessoas em situação de rua procurassem abrigo em Curitiba, não haveria vaga para todos.

De acordo com dados do CadÚnico de fevereiro de 2026, Curitiba tem hoje 4.644 pessoas em situação de rua. Este ano, de acordo com a prefeitura, serão ofertadas 1.769 vagas de acolhimento em 33 unidades da rede socioassistencial, sendo 129 vagas emergenciais, até 21 de setembro.

Ainda segundo a administração municipal, no dia 10 de maio foi batido o recorde de atendimento, com 1.632 pessoas acolhidas nas unidades. Questionada sobre a possibilidade de atender números mais elevados, a prefeitura informou que “a FAS tem capacidade de ampliar o número de vagas, de acordo com a demanda, além de, se necessário, adotar o plano emergencial de acolhimento, com possibilidade de abertura de abrigos provisórios em espaços públicos ou comunitários, conforme previsto no Plano de Contingência Municipal, que envolve secretarias municipais e a Defesa Civil”.

Negando dados

A Prefeitura de Curitiba responde à falta de vagas negando os dados do CadÚnico, usados como referência no país todo. Para o município, “como essa população é bastante migrante, a FAS considera o número de cadastros atualizados nos últimos 12 meses o mais próximo do cenário atual". Com esse recorte, o número cai pela metade, passando a 2.043 cadastros atualizados.

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Para Vanessa Lima, mestre em políticas públicas e presidente da ONG Mãos Invisíveis, o método adotado pela prefeitura pode acarretar em subnotificação. “Para atualizar o cadastro, é preciso ir até um equipamento da FAS. Muitas pessoas não buscam a FAS. Além disso, segundo o IPEA, ao menos 30% das pessoas em situação de rua nas cidades não estão cadastradas no CadÚnico. Existe também essa falácia, esse ego curitibano — e não só curitibano, mas da região sul — de afirmar que essas pessoas não são daqui”, explica.

Vanessa também questiona a capacidade da prefeitura de ampliar os acolhimentos durante o inverno. “O que se sabe é que a Operação Inverno nada mais é do que colchonetes colocados no chão para a pessoa dormir. É isso? Nossa, aumentaram 150 vagas de um ano para o outro. Sim, compraram mais colchonetes, que legal. Mas não aumentaram, por exemplo, a oferta de pão com mortadela que é servido. Então você tem um número maior de pessoas, mas com pouquíssimos educadores sociais”, critica.

A prefeitura afirma que em nenhum momento alguma pessoa em situação de rua deixou de ser abrigada por falta de vagas. Além disso, anunciou o aumento das equipes de atendimento e da oferta de acolhimento durante a Operação Inverno. Segundo a administração, o atendimento intensificado ocorrerá das 18h à 1h da manhã, com 19 equipes percorrendo a cidade para localizar pessoas em situação de desabrigo e atender solicitações feitas pela população pelo telefone 156.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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