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Com início das obras, moradores “ocupam” Arthur Bernardes para impedir corte de mais de 600 árvores

Preocupação de moradores da região é que as árvores sejam cortadas no meio da madrugada

Com início das obras, moradores “ocupam” Arthur Bernardes para impedir corte de mais de 600 árvores
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Após o anúncio na última quarta-feira (06) de que as obras do projeto Inter 2 iriam começar nesta semana na Avenida Arthur Bernardes, os curitibanos contrários à obra começaram a articular suas ações. Nesta sexta-feira (08) junto a chegada do maquinário, chegaram também os manifestantes do movimento S.O.S Arthur Bernardes que pretendem impedir o corte de mais de 600 árvores na avenida. 

Segundo a Licença Ambiental de Instalação no Lote 1 das obras que compreende a Avenida Presidente Arthur Bernardes, cerca de 642 das 1.233 árvores da região serão subtraídas para execução do projeto.

Para impedir o corte destas árvores, o grupo S.O.S Arthur Bernardes planeja acompanhar as obras e articular ações nos próximos dias para bloquear o corte. “Ainda esperamos diálogo com a prefeitura, então a gente continua nessa esperança pelos próximos dias, mas a gente percebe que com as negativas da prefeitura, o movimento vai ter que partir para ações mais drásticas, inclusive tentar bloquear o corte de árvores de algum modo e da forma que for necessária”, explica Felipe Gonçalves, um dos integrantes do movimento.

Mesmo com o início das obras, o grupo espera ainda poder conversar com a prefeitura de Curitiba. A esperança vem principalmente porque durante sua campanha eleitoral, o agora prefeito eleito Eduardo Pimentel prometeu ouvi-los, caso o diálogo não aconteça outras medidas já vêm sendo estudadas. “Primeiro nós gostaríamos de um diálogo com o órgão financiador, o BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, mas como o BID também não tem se mostrado muito eficiente nisso, a nossa última esperança é por meio jurídico”, complementa Gonçalves.

Durante esta tarde, pouco mais de 30 pessoas já estavam na Arthur Bernardes, próximo às ruas Francisco Klemtz e Tamoios, trecho onde as obras foram iniciadas. Segundo o grupo, a partir de agora, ao menos um representante sempre estará próximo às árvores. “A intenção é que sempre tenha alguém aqui. Para fiscalizar ou avisar aos outros o que está acontecendo. O objetivo é atrair o maior número de pessoas para cá”, diz.

Ainda nesta tarde uma parte do grupo se posicionou em frente a caminhões para impedir seu acesso a via. Em um dos vídeos feitos pelo movimento é possível notar que um dos caminhões chega a empurrar uma das integrantes do movimento.

A principal preocupação do movimento é que as árvores sejam cortadas no meio da madrugada. Para impedir que isso ocorra, o grupo está articulando a ação ‘Ocupe a Arthur Bernardes’. O objetivo da movimentação é acampar próximo às árvores que podem ser cortadas na avenida e criar um rodízio de pessoas para que sempre alguém esteja na região.

Ação civil 

Uma ação civil foi protocolada sob regime de urgência na última quarta-feira (06) pelo Observatório de Justiça e Conservação na 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Objetivo da ação é suspender as obras na avenida. A ação já está em análise e deve ter um parecer publicado nos próximos dias.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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