A família do motorista de aplicativo Gustavo da Silva Xavier, morto por um policial militar no último dia 17 em Curitiba, denunciou que o veículo dele foi adulterado após ser levado ao pátio do Detran, sem a realização de perícia. Xavier foi morto com um tiro no peito pelo policial Jardel Bruno Vieira de Paiva, do do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), que estava de folga no momento do crime. Os familiares dizem que o celular da vítima desapareceu.
Imagens de câmeras de segurança captaram o momento do crime, na Avenida República Argentina, no bairro Portão. O policial, que estava em um carro particular, bateu no veículo de Xavier, que passou a segui-lo. A certa altura, já na Avenida República Argentina, os dois sairam do carro e Paiva atirou à queima-roupa contra Xavier, que chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu ao ferimento.
Nesta quinta-feira (24) a família do motorista divulgou duas imagens, uma feita no dia do crime, que mostra o capô do veículo Gol com um amassado. Ao ser retirado do pátio do Detran, o veículo estava sem o dano. A versão inicial dada por Jardel Bruno Vieira é que ele achou que estava sendo perseguido e que foi abordado de forma agressiva por Xavier – o policial não citou o acidente de trânsito e disse que agiu em legítima defesa. A imagem que mostra o acidente foi obtida pela RIC-TV.
Momento que o policial atira contra Gustavo da Silva Xavier
Segundo o deputado estadual Renato Freitas (PT), que está acompanhando o caso, o inquérito para investigar o caso só foi aberto pela Polícia Civil seis dias depois do crime, na última quarta-feira (23), após o parlamentar acionar o Ministério Público do Paraná (MP), no dia 18. A responsável pela investigação é a delegada Magda Hofstaetter, do 18º Distrito Policial de Curitiba.
Na Notícia Crime protocolada no MP-PR, Freitas questionou se mais policiais e agentes públicos podem ter contribuído para a fraude processual e requereu a realização de uma perícia sobre as imagens disponíveis e de oitivas das testemunhas presenciais. O deputado também solicitou à Corregedoria da Polícia Militar a instauração de processo administrativo-disciplinar e o afastamento preventivo de Paiva.
O Plural entrou em contato com as assessorias da Polícia Militar e da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). A PM informou que existe Inquérito Policial Militar (IPM) em curso e que não pode se manifestar antes da conclusão. Segue a resposta da PM:
Existe um Inquérito Policial Militar (IPM) em curso, no qual é garantido o princípio do devido processo legal e que dele decorre a presunção de inocência ou seja somente após a conclusão do processo para pronunciar se houve ou não desvio de conduta.
Passeata
Familiares e amigos de Gustavo da Silva Xavier fizeram uma passeata na noite desta quarta-feira, após a missa de sétimo dia, na Igreja do Senhor Bom Jesus, no bairro portão. Ele tinha 29 anos e uma filha de 3 anos.
"Eu estou vivendo um pesadelo. Ele era muito parceiro, muito amoroso com a filha. Era um menino de 29 anos que parecia ter 60, de tão intenso que ele era, viveu muito, viajou. Com 29 anos, privaram ele de viver os sonhos que tinha", disse Neuvane Silva Pedro Xavier, mãe de Gustavo.
Segundo Neuvane, o socorro chegou cerca de 40 minutos depois de seu filho ser baleado. "Além de tudo eles omitem socorro, porque demorou quase 40 minutos, pelo que a gente sabe, para o socorro chegar. O Gustavo ainda estava consciente, no chão conversando, pedindo para as pessoas dizerem que ele amava a filha dele".
"A gente está em busca de respostas. A gente quer respostas por parte da polícia e saber o que realmente aconteceu."
Neuvane Silva Pedro Xavier, mãe de Gustavo