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Capital nacional dos acidentes com trens, Curitiba registra primeira morte em 2026

Homem de 45 anos morreu após ser atropelado no Boqueirão. Paraná tem seis das dez cidades mais perigosas do país

Capital nacional dos acidentes com trens, Curitiba registra primeira morte em 2026
Linha férrea no bairro Cajuru: risco constante / Foto: Levy Ferreira/SMCS

Um homem de 45 anos morreu ao ser atingido por um trem na manhã desta segunda-feira (20), no bairro Boqueirão, em Curitiba. Foi a primeira morte e a segunda vítima neste ano na cidade, a capital com o maior número acidentes envolvendo trens, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No mês passado, um homem de 40 anos teve o pé amputado após ser atropelado por um trem, também no Boqueirão.

A ANTT ainda não consolidou os dados referentes a todo o ano de 2025, mas o acumulado entre janeiro de 2004 e agosto de 2025 coloca a capital paranaense no topo no número de acidentes ferroviários em todo o país, com 437 ocorrências. A segunda colocada, Juiz de Fora (MG), teve 247 registros no mesmo período.

Dos 437 acidentes, 210 foram atropelamentos de pedestres ou ciclistas. Outros 205 casos foram de abalroamentos (colisões entre trens e veículos). O número cresceu entre 2021 e 2024, quando Curitiba teve 152 acidentes com trens, resultando em 27 mortes e cerca de 60 feridos. Foram 44 ocorrências em 2023 e outras 29 em 2024. Até agosto de 2025, foram 13 registros, com duas mortes.

A maior parte dos acidentes ocorre em passagens de nível, onde os trilhos cortam ruas e avenidas sem viadutos ou túneis. São espaços compartilhados por trnes, pedestres, ciclistas e automóveis. Segundo a Prefeitura de Curitiba, a cidade tem 37 quilômetros de trilhos que cortam bairros das regiões Sul e Leste, com 45 passagens de nível, a maioria no Uberaba e no Cajuru.

No ranking das dez cidades brasileiras com mais acidentes ferroviários nas últimas duas décadas, seis são Paraná: o ranking da ANTT mostra Paranaguá na terceira colocação (220 acidentes), Ponta Grossa em quarto (205), Pinhais em quinto (166), Apucarana em oitavo (124) e Morretes em décimo lugar (114).

Completam a lista Betim (MG), em sexto lugar, com 162 registros; Barra Mansa (RJ), em sétimo, com 140; e Cubatão (SP), em nono, com 114. Em todo o país, 807 municípios tiveram algum tipo de acidente ferroviário entre 2004 e 2025.

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Nova concessão

Em abril do ano passado, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), esteve em Brasília para pedir que a empresa responsável pelo transporte ferroviário no Paraná, a Rumo Logística, retire as linhas de carga que passam pela área urbana. A retirada, no entanto, depende da nova concessão da Malha Sul, prevista para ocorrer no fim deste ano.

A concessão atual termina em fevereiro de 2027 e o governo federal estudava renovar os contratos antecipadamente. No fim do ano passado, a ANTT optou por dividir a Malha Sul em três lotes, com a previsão de realizar o leilão até dezembro deste ano. Veja quais são os lotes:

Corredor Mercosul: Entre as cidades de Iperó (SP), Itapeva (SP), Apiaí (SP), Ponta Grossa, Mafra (SC), Lages (SC), Vacaria (RS), Passo Fundo (RS), Estrela (RS), Santa Maria (SC), Cacequi (RS), Cachoeira do Sul (SC) e Uruguaiana (RS)

Corredor SC/PR: De Ourinhos (SP) ao Porto de São Francisco do Sul (SC), passando por Londrina, Maringá, Apucarana, Cianorte, Guarapuava, Ponta Grossa, Rio Branco do Sul, Antonina, Mafra (SC) e Joinville (SC)

O Ministério Público Federal (MPF) enviou um ofício à ANTT cobrando possíveis passivos deixados pelas concessionárias nos últimos anos. Só em Santa Catarina, o MPF identificou que, dos 1,2 mil quilômetros de ferrovias no início da concessão, no final da década de 1990, só 210 mil quilômetros ainda estão em operação, entre Mafra e São Francisco do Sul. O órgão também cobra possíveis danos ao patrimônio da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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