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Capital com melhor saneamento do Brasil, Curitiba ainda tem mais de 90 mil domicílios com esgoto irregular

Outros 17.719 domicílios não estão ligados à rede de esgoto

homens de costas e roupas azuis
Equipes da Sanepar vistoriando lançamento irregular de esgoto | Foto: divulgação/Sanepar

Em Curitiba, 94.134 domicílios têm esgoto irregular. Segundo a Sanepar, unidades irregulares são aquelas que não possuem ou fazem a manutenção inadequada de caixas de gordura; as que fazem o lançamento do esgoto em canos de drenagem pluvial na rede; ou que contaminem de maneira direta ou indireta o corpo hídrico e os lençóis freáticos. Outros 17.719 domicílios não estão ligados à rede de esgoto. Os dados são do Plano Municipal de Saneamento Básico.

Na RMC os números são ainda maiores. Dados do Painel Saneamento, a partir do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) de 2024, apontam que 420.967 pessoas (11,6%) não possuem acesso à coleta de esgoto. 

De acordo com o pesquisador de recursos hídricos e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), Julio César Rodrigues de Azevedo, os perigos de esgoto nessa situação passam por intoxicações, doenças graves, contaminação ambiental e até multas que podem ultrapassar R$ 5 mil. Para ele, faltam ações mais incisivas para aumentar tanto a regularização quanto o tratamento dos esgotos.

“A lei já existe. O que a gente precisa mesmo é melhorar o tratamento, ser mais eficiente. Não é só coletar, porque coletar 100% é uma coisa, tratar 100% é outra, e ser eficiente nesse tratamento 100% é totalmente diferente”, diz Julio César Rodrigues de Azevedo.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), os imóveis identificados como irregulares passam a integrar processo de regularização.. Quando se trata de irregularidade que causa danos à rede pública de esgotamento sanitário, a Sanepar realiza a notificação. Nos casos em que há dano ambiental direto, a atuação é conduzida pelo município, por meio dos procedimentos administrativos cabíveis. Em Núcleos Urbanos Informais (NUIs), em caso de consolidados e passíveis de regularização fundiária, que não estejam situados em áreas de risco, de acordo com a prefeitura, são realizados estudos técnicos e projetos para viabilizar a ampliação ou implantação de rede pública de esgoto.

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Imóveis mais antigos ou localizados em áreas de risco são mais propensos a sistema de esgoto irregular, seja por instalações hidráulicas mais antigas nem sempre são compatíveis com os padrões atuais ou ainda por não não ter acompanhamento de um profissional capacitado, como um engenheiro, na época da construção, mas não são os únicos. “As inconformidades podem ser identificadas em imóveis de diferentes padrões construtivos, idades e regiões da cidade”, esclarece o diretor do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento (MARHS) da SMMA, Antônio Carlos Gerardi. 

Capital “Rumo à universalização” 

O Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025, divulgado em dezembro de 2025, promove Curitiba como única capital do Brasil na categoria máxima do levantamento. O estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) é construído com base em cinco indicadores do SINISA ano-base 2023 — água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto, coleta de resíduos e disposição final adequada — e só inclui municípios que informaram todos os cinco indicadores. Além da capital, o Paraná aparece com as cidades de Pinhais (região metropolitana) e Maringá (noroeste) na faixa máxima de pontuação, classificadas como Rumo à universalização.

No que diz respeito às enchentes, Azevedo destaca que o esgotamento irregular não é um dos principais fatores: “é mais um problema de saneamento de resíduos sólidos, não a particularidade da água ou a entrada de esgoto nos ambientes. A vazão desses esgotos que entram é muito baixa para ser causa de enchente”.

Como regularizar 

Entre os principais sinais de que o esgoto doméstico apresenta vazamentos são o mau cheiro, infiltrações e umidade no piso, e também pelo som da água correndo. O problema é comum e pode acontecer a qualquer momento, especialmente em residências que contam com entupimentos, tubulações antigas, furos acidentais ou ainda má instalação dos tubos hidráulicos. A regularização da ligação de esgoto é responsabilidade do proprietário do imóvel, que deve arcar com os custos de conectar a rede interna à rede pública disponível. Caso o imóvel não esteja conectado, havendo rede na rua, a concessionária pode cobrar tarifa de disponibilidade. 

Nos locais onde há rede pública de esgoto disponível, os imóveis identificados com irregularidades são notificados pela prefeitura para realizar a interligação adequada à rede no prazo de 20 dias, podendo solicitar prorrogação mediante justificativa técnica. Caso a regularização não ocorra no prazo estabelecido, o imóvel fica sujeito a receber infração ambiental com imposição de multa. Nos locais ainda não atendidos por rede pública ou onde existam limitações técnicas para a interligação, os proprietários são orientados e notificados a implantar sistemas individuais de tratamento de esgoto, conforme as normas técnicas vigentes, aponta a SMMA. 

Quando o morador identificar um sinal de possível perda de esgoto, é importante contatar ajuda técnica e especializada para detectar o problema, os pontos de vazamento e realizar a troca da tubulação danificada.

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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