Depois de assinar um protocolo para transformar o Bosque da Copel em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM), em 2018, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca optou por manter o silêncio desde que surgiu a informação sobre um possível empreendimento nem parte da área verde de 47 mil metros quadrados. A maior parte do terreno no bairro Bigorrilho foi vendida após a Copel ser privatizada pelo governo de Ratinho Júnior (PSD).
Na semana passada, a vereadora de Curitiba Laís Leão (PDT) encaminhou pedidos de informação e ofícios para vários órgãos, entre eles a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), cujo titular é Rafael Greca desde março deste ano. Nesta semana, a Sedest respondeu a vereadora por meio do Instituto Água e Terra (IAT) e afirmou que a responsabilidade é da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA).
O Plural entrou em contato com a assessoria de Greca na última sexta-feira (17 de outubro), para checar se o secretário gostaria de se manifestar sobre o assunto, mas não obteve resposta até esta quinta-feira (23).
O protocolo de intenções que garantiria a criação da Reserva em parte do terreno na Rua Padre Agostinho foi assinado em dezembro de 2018 por Greca e pela então governadora Cida Borghetti (PP). O documento também foi assinado pelo presidente da Copel na época, Jonel Iurk, e pela secretária municipal do Meio Ambiente de Curitiba, Marilza Dias, que permanece no cargo na gestão do prefeito Eduardo Pimentel (PSD).
Greca disse que, com a criação da Reserva, seria possível proteger “o manancial onde brotam as nascentes do Rio Campina do Siqueira, afluente do Rio Barigui, do parque daqui vizinho”.
O projeto não saiu do papel e em 2019 o governador Ratinho Júnior nomeou para a presidência da Copel o irmão de Eduardo Pimentel, Daniel Pimentel Slaviero (ambos netos do ex-governador Paulo Pimentel, que também foi presidente da Copel). Privatizada em agosto de 2023, a Copel passou a vender imóveis e usinas.
Entenda o caso
Na semana passada, Laís Leão recebeu denúncias a respeito de secagem e envenenamento de araucárias no Bosque e sobre a possível construção de 21 prédios no local. Além do oficiar a Sedest, ela encaminhou pedidos e ofícios para a SMMA, a Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU), a Copel e o Ministério Público o Paraná (MP-PR). A vereadora Giorgia Prates (PT) e os deputados estaduais Requião Filho (PDT) e Goura (PDT) também cobraram informações. O MP-PR instaurou uma investigação preliminar sobre o assunto.
Depois da polêmica, a Prefeitura divulgou um vídeo para desmentir a possibilidade de desmatamento e confirmou que a maior parte do bosque foi vendida. A área tem quatro Indicações Fiscais e apenas um lote, o menor deles, pertence à Prefeitura, onde fica a construção conhecida como "chapéu pensador".

Segundo a Prefeitura, não há nenhuma intenção de cortar árvores na área pública e até o momento não houve solicitação para a construção de edificações nas demais Indicações Fiscais, nem recursos junto ao Conselho Municipal de Urbanismo "que tratem da viabilidade de empreendimentos no local".
Bosque Padre Agostinho Empreendimentos
Em outubro do ano passado, o portal RSN, de Guarapuava, informou que a Copel havia vendido as vilas de Reserva do Iguaçu e de Pinhão (Faxinal do Céu), junto com uma área verde em Curitiba.
Em novembro, o portal de notícias RBJ, de Francisco Beltrão, informou que a vila Faxinal do Céu (construída para abrigar os trabalhadores da Usina de Foz do Areia) tinha sido adquirida pela ABTN Partners, com sede Curitiba, e que havia um projeto para a construção de um resort no local.
Na semana passada, o jornalista Reinaldo Bessa, de Curitiba, afirmou que a ABTN Partners é a atual gestora da área. Segundo Bessa, a ABTN Partners não se manifesta sobre o assunto.
No sistema de pesquisas por CNPJ do Governo Federal, consta o número 57.416.948/0001-40 com a razão social Bosque Padre Agostinho Empreendimentos SPE Ltda., com sede sem Curitiba. O capital social é de R$ 50 mil e a data de abertura é 24 de setembro de 2024.