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“Se não gritar e estapear, o racismo estrutural diz não”, fala Milton Cunha sobre apagamento do Carnaval de Curitiba

Entenda por que a velha guarda local está na apoteose da abertura do Festival de Curitiba com o espetáculo “Samba: as escolas e suas narrativas” 

Carnavalesco Milton Cunha
Aula-show “Samba: as escolas e suas narrativas”, criada por Milton Cunha, marca o início da 34ª edição do Festival de Curitiba. (Foto: Tami Taketani/Plural.)
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A escolha para a abertura do 34º Festival de Curitiba deixou de ser segredo há pouco tempo. Na noite de hoje (30), o evento começa oficialmente com apresentação exclusiva para convidados da aula-show “Samba: as escolas e suas narrativas”, criada por ninguém menos que o carnavalesco mais pop do Brasil: Milton Cunha. Amanhã a sessão é aberta ao público, porém restam pouquíssimos ingressos à venda. O espetáculo é baseado nos estudos do artista na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para onde levou o carnaval como tema de mestrado e doutorado. Na manhã de hoje – junto com os mestres Ciça e Nilce Fran, e a passista Laura Bombom, entre outros – ele participou de entrevista coletiva sobre a produção que deve transformar a Pedreira Paulo Leminski na Sapucaí.

Cunha, que já esteve na programação do Festival ano passado como mestre de cerimônias, explicou que as agremiações desenvolveram uma maneira singular de contar histórias. Apenas as procissões religiosas possuem certa similaridade com as escolas de samba, como as festas dionisíacas na Grécia Antiga e os desfiles europeus de entradas régias e de exéquias reais. “Parente tem, mas - como estrutura narrativa - as escolas de samba são as primeiras e únicas”, disse ele ao montar um panorama histórico do carnaval. Segundo o artista, o ponto de partida é o final dos anos 1920, quando o samba surge nos morros em oposição ao carnaval com polca europeia que acontecia à beira-mar e, hoje, é uma festa popular e periférica da negritude. 

O carnaval e o samba de Curitiba

Em resposta ao Plural sobre o apagamento histórico que o samba e o carnaval curitibano sofreram ao longo do tempo, o criador da aula-show respondeu: “Se você não gritar, se você não estapear, ele [o racismo estrutural] vai chegando e dizendo não - é menor, é coisa de bêbado, é coisa de comunidade. A resistência é feroz, ela é uma luta.” Ele e também mestre Nilce compararam o enfrentamento atual em Curitiba à situação de outros estados e cidades brasileiras quanto ao samba e as religiões de matriz africana, como Rio Grande do Sul e Brasília. 

Questionado se, no grande elenco vindo de 14 escolas de samba do Rio de Janeiro, foram integrados talentos locais, Cunha respondeu que sim. “Não dava pra vir pra cá e não falar da dor e das delícias dos sambistas de Curitiba”, falou o artista. A escolha dele para engrandecer a trajetória de batalha dos carnavalescos curitibanos foi dar protagonismo à velha guarda na apoteose da abertura do Festival de Curitiba.

34º Festival de Curitiba

De 30/3 até 12/4 de 2026

Ingressos gratuitos e pagos até R$85  (mais taxas administrativas), à venda no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo. Confira também todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras. Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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