Chegou a hora de matar a saudade das passagens de "Tangos e Tragédias” por Curitiba. É que, no domingo (27), às 18h, “A Sbørnia Kontr’Atracka” vai estar no Teatro Guaíra. O mais novo espetáculo de Hique Gomez, com uma trupe cheia de talento, inspirado na obra que ele e o saudoso Nico Nicolaiewsky criaram e apresentaram nos palcos durante mais de 30 anos de trabalho juntos. Nesta sessão, a estreia de uma turnê por sete capitais brasileiras, o coral curitibano Bom de Boca faz uma participação especial. Os ingressos estão à venda no site Disk Ingressos, a partir de R$ 20 (meia-entrada, segundo balcão), mais taxas de R$ 2,60.
A dica é: corre, pois restam poucos lugares disponíveis. Contudo, se você ainda está na dúvida, o Plural conseguiu, em primeira mão, revelações inéditas e informações cruciais sobre o tema do espetáculo: a Sbørnia, pátria das estrelas que – com seu humor, dança, cultura e música – encantam crianças, jovens e adultos em apresentações que ficam gravadas na memória. Quem nos contou tudo foi Kraunus Sang, um dos mais ilustres fugitivos, quero dizer, cidadãos daquele país.
A Sbørnia é um país peculiar e muitos nem sabem de sua existência. Eu e muitos outros repórteres tentamos várias vezes visitá-lo e nunca conseguimos. A entrada da imprensa não é autorizada e o governo sempre dá um jeito para sabotar nossas expedições: é voo cancelado, carro enguiçado, guias que somem ou que, na verdade, são agentes disfarçados… no fim, nunca fomos até lá. Assim, dependemos dos poucos sbørnianos que vivem no Brasil para conhecer mais sobre o lugar e sua cultura tão importante.
Durante a conversa, Sang deixou claro que visitar Curitiba é uma grande alegria e deu para entender de onde vem o carinho dos fãs brasileiros pelo povo da Sbørnia. O músico explicou que o legado do país cresceu e invadiu as telas, confessou de onde veio o repertório dos shows, como conheceu o Maestro Pletskaya e comentou a odisséia que os fez aportar no Brasil. Ele ainda contou qual é o maior e mais importante motivo para assistir “A Sbørnia Kontr’Atracka” e que nossa cidade e o estado do Paraná estão sob ameaças terríveis. Mas também revelou como podemos salvá-los.
Confira a entrevista exclusiva de Kraunus Sang para o Plural, a seguir.
Conta um pouco da história dessa nação. Como é a Sbørnia hoje?
Antes de mais nada, preciso falar de minha esfuziante alegria em voltar ao Teatro Guaíra. Foram dez anos de momentos gloriosos ao lado do Maestro Pletskaya com Tangos e Tragédias, e antes ainda outros dez anos no Teatro Fernanda Montenegro. Junto com o público de Curitiba construímos nossa trajetória.
A história recente da Sbørnia pode ser muito bem compreendida através do longa-metragem de animação "Até que a Sbørnia nos Separe". Um filme primoroso que conta a história de nossa querida pátria natal. Tem no YouTube. Dirigido por Ennio Torrezan e Otto Guerra – os dois hoje membros da Academia de Cinema de Hollywood (é sério, a do Oscar) –, o filme rodou o mundo em festivais de animação e o roteiro fala da Sbørnia de antes das explosões que a separaram do continente e que a transformaram em uma ilha flutuante.
O Governo Provisório da Sbørnia hoje abriu suas fronteiras para a saída de seus habitantes. Não sabemos como a Sbørnia é hoje, mas sabemos como ela vai. Na categoria de ilha flutuante, a certeza é que ela tanto vai como também vem.
Como a música entrou na sua vida lá na Sbørnia? Como você e o Maestro Pletskaya se conheceram? Vocês vieram juntos para o Brasil?
A música entrou na minha vida como entra na vida de todo Sbørniano. Entrou como o oxigênio entra nos pulmões. Entrou como a cerveja sbørniana, que embriaga nossos sonhos. Entrou como o amor, que une os casais em cópulas hiperbólicas, transbordando emoções para toda sua atmosfera. Mas foi na Recykla Gran Rechebuchyn, a grande Lixeira Cultural, que encontramos o repertório de nossos shows, com peças importantes do Tangos e Tragédias. E foi ali que nos conhecemos, remexendo na lixeira, achamos as canções. E lógico, logo tivemos que fugir, sim, fugimos juntos, num barco a remo. Ele remava para lá e eu para cá... assim como Pedro Álvares Cabral, sem querer chegamos aqui.
Pletskaya voltou para a terra natal, como é lidar com a saudade? Ele fez muitos, muitos, muitos amigos no Brasil. Você nota que sentem falta dele?
Sim, sentimos falta do seu convívio, do seu espírito, da presença e do seu acordeom, mas na verdade notamos que ele está junto conosco. E o público será brindado com imagens emocionantes dele no telão. O espírito do maestro permanece conosco, e isso é o que importa.
Nós, jornalistas, somos proibidos de entrar no país. Os civis, em geral, também são impedidos de cruzar as fronteiras. Por que é importante falar da Sbørnia em terras brasileiras ainda hoje?
Ah... isso eu não vou dizer ... Mas... é importante falar por causa dos ingressos, precisamos que as pessoas vão [sic] ao espetáculo, porque é disso que vivemos. E são ingressos muito populares. Isso incrementa a nossa economia e tem mais: se as pessoas não forem ao show, o Governo Provisório da Sbørnia vai colocar um tarifaço na prefeitura de Curitiba, e todos os produtos do Paraná serão taxados ao entrar na Sbørnia. Também tem o risco de o Governo Provisório da Sbørnia querer anexar Curitiba. Seria a glória!
Há bem mais de 30 anos você e um pequeno número de Sbørnianos se dedicam a difundir a história e a cultura dessa nação. Quem são os Sbørnianos que seguem nessa missão contigo?
O principal parceiro de longa data é o Prof. Ubaldo Kanflutz (Claudio Levitan), reitor das Universidades de Ciências Ficticias. Junto com ele delineamos o novo mapa da Sbørnia, com suas oito regiões, o que mostramos no show cantando. E nesta ocasião, vejam bem, com o Coro Bom de Boca, aqui de Curitiba, que vem para substituir o Jungst Korhal Sbørniano. Além de cantarmos clássicos como Ana Cristina.
Depois que o Maestro Pletskaya voltou pra Sbørnia, ainda chegaram no Brasil: Nabiha Nabaha (Simone Rasslan), incrível pianista e maestrina formada pela Libertok Universitik de Musik; o Prof. Menthales (Tales Melati), tocador de gaita de foles encantador das Montanhas da Kashkadunia, e Pierrot Lunaire (Gabriela Castro), a hiperbailarina e sapateadora do Balé Hiperbólico da Sbørnia.
Corrija-me se eu estiver errada. O folclore sbørniano é algo que encanta muito aos brasileiros? Por quê? Os curitibanos também são curiosos e atraídos por isso? O que é mais encantador quando se conhece um pouco mais sobre a Sbørnia?
Um pouco é a identificação com a cultura dos imigrantes. Os sbørnianos todos são imigrantes fugidos de nossa pátria natal. Em 200 anos, a vida de todos os brasileiros se perde numa bruma histórica e acabam se encontrando na Sbørnia. Sobre o que mais encanta... talvez seja o preço dos ingressos. Olha, tá muito barato mesmo. Da próxima vez, não vai ser tão barato assim e já tá quase lotado.
E o humor? É um traço marcante do povo de lá?
O humor não é só um traço, é o desenho todo. O Sbørniano abraçou sua sombra, ele não tem medo de ser ridículo. Por exemplo, ele institucionalizou o Governo Provisório da Sbørnia, porque sabe que sempre tem gente querendo derrubar. Também assumiu sua fé no Votorantismo, para que a religião seja mais concreta. E nas finanças sua moeda forte: o Scombrio! Também tem algo sobre os cabelos do sbørniano, uma ousadia ridícula nos penteados, algo que os americanos não costumam observar.
Qual foi o maior perrengue que vocês já enfrentaram em outros países? E a maior alegria ao longo do caminho dedicado à cultura da Sbørnia?
Perrengue... quando chegamos ao Festival Internacional de Tango de Buenos Aires. Los Hermanos disseram “Tangos y Tragedias, bien venidos y tal... mui bien y que tangos ustedes tocan? E nós não tocávamos nenhum tango tradicional, tivemos que convidar o quarteto de sax performático Cuatro Vientos para tocar os tangos. Ficamos amigos e até trouxemos eles para uma temporada no Guairão.
A maior alegria é poder voltar quando se pensava que tudo estava perdido.
Como o legado da Sbørnia virou filme e série? O que é “A Sbørnia Kontr’Atracka"? Ela tem ligação com "Tangos e Tragédias"?
O filme levou oito anos para estrear, foi um trabalho extenso que representa muito a nossa trajetória. E a série foi feita no período da Pandemia com patrocínio da Icatu Seguros e da Lei Aldir Blanc. Entrou no Rio Web Festival, o maior festival de webséries do mundo e ganhou os principais prêmios. Logo foi chamada para ser veiculada no Prime Box Brazil e na a plataforma Box Brazil Play. Temos dois novos capítulos no YouTube e mais dois a caminho, que formarão uma nova minitemporada para TV.
Tudo o que foi criado no período do “Tangos e Tragédias” e não entrou no espetáculo foi desenvolvido para entrar na série. Quadros como "As Devagar Quase Paradas de Sucesso", o "Tubo do Tempo" com imagens lembrando passagens dos espetáculos, e eu, Kraunus, entrevistando convidados – que partem logo para um vídeoclipe dentro da Sprotna 4, a estação espacial Sbørniana. Tudo totalmente coerente com o que foi criado no período do “Tangos” por Hique Gomez e pelo Nico Nicolaiewsky.
Qual o maior ensinamento que a Sbørnia tem para o Brasil?
O maior ensinamento é que a Sbørnia não está preocupada em ensinar nada. Mas, talvez seja interessante observar o estilo desestressado dos sbørnianos... Sim, isso talvez seja algo que valha a pena observar.
Por que os curitibanos devem assistir “A Sbørnia Kontr’Atracka"?
Porque temos que reviver aqueles momentos gloriosos, como a saída no final do show cantando com o público e fazendo experiências psico-acústicas no saguão do teatro com o espírito de congregação. Porque eu, Kraunus, estarei ali representando aqueles momentos e, mais do que isso, segurando a chama que não se apaga. E, acima de tudo, porque os ingressos estão muito baratos!

Espetáculo "A Sbørnia Kontr’Atracka"
Data: 27 de julho
Horário: domingo às 18h
Local: Teatro Guaíra, Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto - Guairão (Rua Conselheiro Laurindo, 175. Centro)
Ingressos: à venda pelo site Disk Ingressos, a partir de R$ 20 (meia-entrada, segundo balcão), mais taxas de R$ 2,60.
Classificação: livre para todos os públicos
Duração: 105 minutos
Ficha técnica: Criação e direção geral, Hique Gomez; arranjos e atuação, Hique Gomez e Simone Rasslan; elenco de apoio, Tales Melati e Gabriella Castro; projeções visuais, Rique Barbo; desenho de iluminação, Heloiza Averbuck; operação de iluminação, André Hanauer; engenharia de som, Edu Coelho; assistente de produção, Kauê Mallmann; e assistente técnico: Rafael Pacheco.
Roteiro: Curitiba (27/07), Florianópolis (09/08), São Paulo (11/09), Campo Grande (16/10), Rio de Janeiro (30/10), Belo Horizonte (04/11), Brasília (06/12).
Patrocínio: Petrobras
Realização: Ministério da Cultura – Governo Federal
Outras informações, no Instagram do espetáculo.





